Diplomas não preenchem vazios emocionais

A visão empreendedora adquirida pela experiência de vida nos apresenta novas possibilidades

Renata Pegoraro Florianópolis

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É preciso reconhecer que somos uma geração diferenciada. Tivemos a opção de escolher com quem nos casamos, onde moramos e qual carreira seguimos. Na verdade, ter a possibilidade de fazer todas essas escolhas, é o resultado de incansáveis lutas das nossas antepassadas e ter consciência disso, é um privilégio da nossa geração.

Diplomas não preenchem vazios emocionais – Foto: RF studio/Pexels/NDDiplomas não preenchem vazios emocionais – Foto: RF studio/Pexels/ND

Mas o que fazer quando a consciência reconhece tais privilégios e também percebe que isso não preenche o vazio que sentimos? Quando a carreira iniciada aos 18 anos, e talvez mantida nos 30 anos seguintes, já não nos faz mais felizes?

Talvez seja nesse momento que a visão empreendedora adquirida pela experiência de vida (que não é uma experiência temporal) nos apresenta novas possibilidades.

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Como já comentei no podcast aDiversa, onde as convidadas tiveram transições de carreiras incríveis, o empreendedorismo me salvou! Após cinco longos anos investindo os recursos que tinha (e os recursos que não tinha também), fossem eles financeiros, emocionais ou intelectuais, conquistei o tão sonhado diploma na graduação de Direito.

Ao contrário do que imaginei, chegando no mercado de trabalho percebi que essa área tão incrível e com milhares de possibilidades, nada tinha a ver com os seus propósitos e valores. Depois de crises emocionais terríveis, que me acompanharam por anos, e o “desejo de dar certo” nada romantizado, já mencionado na coluna anterior, decidi deixara carreira jurídica de lado para investir no que realmente fazia sentido.

Parece hipocrisia abrir mão do privilégio em um país com tantas dificuldades para se dar ao luxo de investir naquilo que realmente nos realiza. Mas foi aí que o empreendedorismo se apresentou como uma grande oportunidade de transição de carreira. Essa é a minha história, mas também é a história de outras tantas mulheres.

Longe da autopromoção, escrevo tudo isso para dizer que deixar o diploma, o casamento ou a carreira, em nome da real felicidade, também é normal! Casos assim só não são mais comuns porque a falta de coragem e de mindset empreendedor paralisa a maioria das pessoas.

Além disso, ir contra as expectativas sociais, enfrentando o medo de decepcionar as pessoas que amamos ou de dar um grande passo em direção ao novo, com o objetivo de honrar os nossos verdadeiros desejos, exige coragem, persistência, determinação, liderança e desenvolvimento constante.

Percebe que essas são características empreendedoras? Então, independente de qual for o seu próximo passo ou para onde a sua carreira te leve, desenvolva as habilidades acima. Porque assim talvez o empreendedorismo também salve a sua vida e você perceba milhares de novas possibilidades. Afinal, resgatar a felicidade sempre vale a pena!