Frigidez feminina: entenda por que essa condição não existe

Expressão surgiu no início do século XX para denominar mulheres consideradas frias, ou seja, que não tinham desejo sexual; termo é considerado pejorativo

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Carolina Freitas Brasília

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Existe diferença entre baixa ou falta de libido na mulher e frigidez? Antes de começar a conversa de hoje, vou te mostrar que a escolha do termo importa e que, além de existir confusão entre ações, reações e desejos, o uso do termo frigidez não é indicado.

Nos meus atendimentos clínicos e na plataforma Sexo sem Dúvida é comum a procura de mulheres pela terapia da sexualidade por conta da diminuição ou da total ausência de desejo sexual. Vamos então pensar juntas sobre as diferenças e o que pode estar acontecendo.

Termo frigidez é considerado pejorativo e não deve ser utilizado – Foto: Pexels/Divulgação/NDTermo frigidez é considerado pejorativo e não deve ser utilizado – Foto: Pexels/Divulgação/ND

Primeiro volto à linguagem. É importante ficar claro que o termo frigidez, apesar de comumente utilizado, é pejorativo. A expressão surgiu no início do século XX para denominar mulheres consideradas frias, ou seja, que não tinham desejo sexual.

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Porém, a mulher que por alguma razão não tem desejo sexual não é uma pessoa fria. Nem emocionalmente, nem sexualmente. É preciso compreender o que está acontecendo com ela, qual o momento de vida, como estão suas relações interpessoais e questões culturais que podem estar interferindo no desejo. Também é preciso notar o uso de medicações, de álcool e drogas, além de problemas no trabalho e outras questões.

É esperado que existam fases em que mulheres (e homens também!) fiquem com o desejo sexual abalado. Isto não é necessariamente uma disfunção sexual, vai depender do contexto, do tempo e do sofrimento. Logo, quando se fala sobre disfunção sexual é sobre não funcionar dentro do que é esperado no ciclo da resposta sexual.

O que faz com que você queira fazer sexo? Esta reflexão vai te ajudar a compreender se é ausência de interesse sexual, baixa resposta às tentativas da parceria ou, ainda, dificuldade de excitação no contato íntimo.

A pesquisadora Rosemary Basson (2001) trouxe a importante informação científica que nem sempre o desejo vai anteceder o ciclo da resposta sexual, que o desejo pode se misturar com a excitação sexual e o prazer sexual.

Para você se relacionar sexualmente é importante a intimidade sexual, estar confortável física e emocionalmente para uma possível situação de troca sexual. Ser convidada a pensar sobre sexo vai te gerar uma excitação e, assim, o desejo sexual se revela.

Percebe que ele, o desejo, pode vir depois do convite e da excitação? E com isso você pode, sim, querer transar?

Então, saiba que não ter desejo espontâneo (aquele que “vem do nada”) não te faz ter baixa libido. E é bastante comum, principalmente em mulheres em longos relacionamentos. E que o desejo pode aparecer assim, de forma responsiva.

Importante você descobrir o que te atrai e te excita sexualmente. Cheiro? Altura? Gosto? Personalidade? Bom humor? Autoconfiança? Abusar dos cinco sentidos – visão, audição, olfato, tato e paladar. Lembre-se ainda que a pele é o seu maior órgão sexual.

Minha sugestão de hoje? Tem intimidade e está confortável? Por que não aceitar o convite sexual? O sexo pode te proporcionar sensações de bem-estar e como algumas mulheres me relatam no consultório “me faz sentir viva”.

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