Ser mãe é sempre um desafio, sobretudo quando a maternidade precisa estar conciliada com a vida profissional. Diante desta realidade, ter uma rede de apoio está longe de ser um luxo e, muitas vezes, é em outras mães, as amigas, que mulheres com filhos acham este suporte.
Foi em busca deste apoio que um grupo de executivas com filhos na mesma faixa etária se reuniu em Florianópolis no ano de 2018. O intuito era formar uma cadeia de ajuda e trocar experiências sobre como equilibrar maternidade e carreira. Quatro anos após o primeiro encontro, que não teve repetição nos últimos anos, em razão da pandemia de Covid-19, elas se reencontraram com suas respectivas ‘crias’.
Da esq. para dir., as mães e seus filhos: Diana e Helena; Cristina com Beatriz; Luana e Lucca; Andreza e Laura; Juliana e Bernardo; Antônia e Marina – Foto: Fabrícia Pinho/Reprodução/NDA iniciativa partiu de Andreza Michelon, de 45 anos, mãe de Laura, hoje com 4, que tinha o desejo de compartilhar as delícias e dificuldades de ser uma mãe que trabalha fora.
Seguir“No nosso primeiro encontro eu queria poder ver minhas amigas, pois todas nós engravidamos quase no mesmo período e as crianças tem a mesma idade. Com os bebês pequenos ficava difícil, então, resolvi juntar todas”, conta.
As crianças se reconhecendo na foto do primeiro encontro das mães – Foto: Fabrícia Pinho/Reprodução/NDApós dois anos de afastamento ‘forçado’, Andreza Michelon, Diana Maccari, Luana Zapelini, Cristina de Souza Locks, Juliana Raquel Duwe e Antonia Adami tomaram um café da manhã animado, reviram as crianças e conversaram sobre os rumos para os quais a maternidade as levou.
“É muito legal ver como as crianças estão”, vibra a arquiteta Diana Maccari, de 43 anos, mãe de Helena, de 4 anos.
A maternidade como apenas uma das faces
Apaixonadas por seus filhos, mas também por suas profissões e carreiras, o grupo de empreendedoras frisa que a maternidade é mais um ângulo de suas vidas, e não o único.
“Minha vida profissional não deixou de existir porque eu me tornei mãe. A maternidade é apenas uma das nossas versões”, ressalta Andreza.
As mães conversam sobre o equilíbrio dos filhos com a carreira – Foto: Fabrícia Pinho/Reprodução/NDPara a nutricionista Luana Zapelini, de 38 anos, a maternidade serviu como uma mola propulsora para novas descobertas profissionais. Durante a gravidez e após o nascimento de Lucca, hoje com 4 anos, ela se voltou para o nicho de alimentação gestacional e infantil e, inclusive, escreveu um livro sobre o tema.
A nutricionista conta que passou a atender mais gestantes após sua gravidez e que este não era um público frequente em seu consultório. “O Lucca toma suco verde todos os dias e vejo muitas pessoas se impressionarem com a alimentação dele. Como passei a receber muitos pedidos de grávidas e de outras mães, resolvi escrever o livro”, conta Luana.
A importância de trocar experiências
Durante o café, o papo não girou apenas em torno da vida das crianças e de suas rotinas como mães e empreendedoras. O grupo relembrou também os momentos mais difíceis após o nascimento dos filhos.
As dores e amores da maternidade sendo partilhada entre as amigas – Foto: Fabrícia Pinho/Reprodução/ND“Algumas coisas ninguém te conta. Muitas pessoas não te falam como amamentar pode ser dolorido, sobre as dores no corpo, sobre a frequência do choro do bebê… Ter para quem ligar e recorrer, saber que essa pessoa te entende e te acolhe é muito importante”, desabafa Andreza.
O bate-papo também deu espaço para que elas contassem sobre as novas descobertas e rearranjos do dia a dia. “Na pandemia eu e meu marido revezamos nos cuidados com a Beatriz. Como nós dois somos dentistas, saíamos apenas para atender casos de emergência, mas precisávamos nos organizar porque se um saía o outro precisava ficar em casa com ela”, explica Cristina.
As crianças agora, com 4 anos, não demoraram a se enturmar – Foto: Fabrícia Pinho/Reprodução/NDEntre cafés, risadinhas infantis, fotos e muito carinho, a mensagem deixada por essas mães, mulheres incríveis e de personalidade forte, é a de que as mulheres podem estar onde quiserem e ocupar seus espaços apesar da maternidade.
“Sempre pensamos que não vamos dar conta e assim vamos superando todos os obstáculos. A gente consegue estudar e trabalhar, criar os filhos e, assim, tudo vai dando certo, mesmo que em alguns dias pareça que não”, finaliza Andreza.