Falar sobre dinheiro, bem como de sexo, ainda é tabu para muitas pessoas, principalmente nos relacionamentos. Saiba que o controle financeiro é parte importante de uma relação. E se a comunicação financeira não for boa, pode ser sinal de que algo não vai bem, seja no financeiro ou no próprio relacionamento, e pode configurar a temida infidelidade financeira.
Ter educação financeira é focar não apenas no corte de gastos, mas em como investir e aumentar as receitas, repensar o estilo de vida adequado a sua realidade, buscar qualidade de vida e ter segurança tanto para realizar possíveis desejos como ter garantias para eventuais imprevistos.
Infidelidade financeira pode arruinar um relacionamento assim como uma traição – Foto: Divulgação / PexelsMas você sabia que esconder deliberadamente movimentações financeiras que envolvam o dinheiro do casal pode ser definido como infidelidade financeira?
SeguirTe convido hoje a refletirmos juntas sobre este tema, pois pouco se fala sobre infidelidade financeira, mas pode ser a gota d’água para vários relacionamentos. E essa tem sido uma queixa frequente nos meus atendimentos clínicos e na plataforma Sexo sem Dúvida.
Já adiando que afeta principalmente as mulheres… Quantas mulheres são independentes financeiramente e dependentes emocionalmente? Nós mulheres (me incluo aqui) aprendemos a ter de lidar com tudo, com o dinheiro (ou a falta dele) não seria diferente.
A fidelidade financeira é compartilhar a realidade financeira, incluindo gastos, ganhos, rendimentos, dívidas e projetos. E, ainda, alinhar o que é comum e o que é individual. Afinal, a individualidade financeira também é importante numa relação.
Como em todas as formas de infidelidade, a definição de “infidelidade financeira” vai variar de casal para casal e vai depender também do acordo (verbal ou não) feito desde o início do relacionamento. Mas podemos pensar em alguns indícios de infidelidade financeira que requer atenção.
Você esconde a compras que faz de sua parceria? Gasta além das possibilidades e combinados? Tem investimentos e sua parceria não faz ideia? Omite as faturas de contas e de cartão de crédito? Inclui gastos extraconjugais em despesa pessoal?
Outro ponto importante de reflexão: já concordamos que a individualidade financeira é importante no relacionamento, mas e quando a infidelidade financeira e/ou conjugal está dentro dessa individualidade, do dinheiro pessoal? Se foi acordado como será organizado o nosso dinheiro e o meu dinheiro, a decisão é exclusivamente minha?
Perceba que a conversa sobre o controle financeiro vai esbarrar em diversas questões do casal e isso não está claro quando há a expectativa de que o amor vai dar conta de tudo.
Quantos casais se organizam financeiramente desde o início da relação? Além de conversar sobres gastos atuais, investimentos para projetos futuros a médio e longo prazo é preciso conversar sobre desejos (incluindo os sexuais) e valores pessoais e familiares.
Deixar o dinheiro para lá, por não ser romântico, ou por ser “responsabilidade do homem” podem ser razões que culminem na infidelidade financeira, e que pode, a longo prazo, impactar além das finanças do casal, a vida em comum. Afinal, ao não poder usufruir do próprio dinheiro falamos em não ter autonomia.
Por fim, refletimos que acreditar que o amor vai dar conta de tudo e não conversar sobre a vida financeira do casal pode ser um dificultador a médio e longo prazo. E que não existe fórmula única para a felicidade conjugal.
Dentre vários os fatores satisfatórios para uma boa vida a dois, há um componente essencial: a confiança, incluindo a financeira. Boas escolhas financeiras sustentam também o relacionamento e a realização de sonhos em comum e individuais. Para isso é necessário mudar percepções, comportamentos e atitudes diante a vida financeira.
Independente se você está solteira ou se relacionando, que tal começar a olhar para sua vida financeira a partir de agora?