‘Sensibilidade aflorada’: mulheres têm mais compaixão do que os homens, aponta estudo

Uma equipe de Neurobiologia do México realizou um estudo com 12 mulheres e 12 homens

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Redação ND Florianópolis

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Você acredita que as mulheres são mais compassivas do que os homens? Quem garante essa informação é uma pesquisa realizada nos Estados Unidos em que 80% dos americanos concordaram com a opinião.

Isso pode ser considerado um esteriótipo sexista? Segundo a pedagoga e especialista em educação para a sexualidade pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Claudia Petry, a resposta é que talvez não.

Os cientistas estão estudando a possibilidade de o cérebro das mulheres processar a compaixão de maneira diferente dos homens. Isso acontece devido à maneira distinta de como os sistemas neurais femininos evoluíram.

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mulheresMulheres têm mais compaixão do que os homens, aponta estudo – Foto: Freepik/ND

“Isso acontece, aparentemente, devido à maneira distinta como os sistemas neurais femininos evoluíram, provavelmente, em conexão com o desenvolvimento de habilidades associadas às necessidades emocionais dos filhos, como, por exemplo, a comunicação pré-verbal materna”, afirma Petry.

Uma equipe de Neurobiologia do México realizou um estudo com 12 mulheres e 12 homens, os participantes viram uma série de 100 fotografias, enquanto seus cérebros eram digitalizados.

Em cada duas imagens, uma evocava paixão. Exemplos incluíam rostos tristes, cenas de guerra, representações de fome, entre outras.

Os pesquisadores perceberam que quando as fotos que evocavam a compaixão eram vistas, o cérebro das mulheres ativava duas áreas, incluindo uma maior no cerebelo, cuja estrutura envolve características como julgamento, atenção seletiva e experiência afetiva, além de desempenhar um papel na decisão de executar ações de ajuda.

Já nos homens, nenhuma dessas duas áreas foram ativadas. Embora este estudo não confirme que a mulher tenha, de fato, mais compaixão do que o homem, sugere uma divergência em como a compaixão é experimentada e expressada por ambos.

Mulheres e o “hormônio do amor”

'Sensibilidade aflorada': mulheres têm mais compaixão do que os homens, aponta estudoA compaixão e a bondade são sentimentos que podem estar presentes em qualquer ser humano. Foto: Getty Images/ND/Divulgação

Ainda segundo Petry, o fator que pode explicar esta diferença é a ocitocina, um hormônio produzido pelo hipotálamo, presente nas mulheres em níveis mais altos.

O ocitocina tem a função de promover as contrações musculares uterinas; reduzir o sangramento durante o parto, estimular a liberação do leite materno, desenvolver apego e empatia entre pessoas, produzir parte do prazer do orgasmo, modular a sensibilidade ao medo e entre outras.

O hormônio também auxilia na facilitação da confiança e do apego entre pessoas, além de diminuir os níveis de cortisol, hormônio que causa o estresse.

Conhecida como o “hormônio do amor”, ela tende a baixar a agressividade nos homens. No entanto, sua atuação costuma ser bloqueada pela testosterona.

Pode ser que as mulheres sejam, sim, mais compassivas. Porém, a compaixão e a bondade são sentimentos que podem estar presentes em qualquer ser humano. Vale lembrar que temos que considerar uma série de aspectos individuais, como genética, personalidade, histórico, cultura, entre outros.

“Pesquisas e fatores biológicos/hormonais apontam que a mulher tende a ser mais sensível, mas isso não significa que seja uma regra geral. Pessoas são diferentes, e cada uma tem suas próprias características. Independentemente de gênero”, finaliza Claudia Petry.

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