Cacau Menezes cacau.menezes@ndtv.com.br

Apaixonado pela sua cidade, por Santa Catarina, pelo seu país e pela sua profissão. São 45 anos, sete dias por semana, 24 horas por dia dedicados ao jornalismo

O movimento ‘woke’ é o que os brasileiros chamam de exagero do politicamente correto

A Cultura “WOKE”

Receba as principais notícias no WhatsApp

Woke significa “acordado(a)” ou “desperto(a)”, e se tornou um adjetivo da língua inglesa que significa também “alerta para o preconceito e discriminação racial”.

O movimento incorpora, porém, também ideias contra toda forma de preconceito, como preconceito social, sexual, machismo e outros. A frase “Fique acordado” (Stay Woke), de origem afro-americana, foi popularizada pelo movimento Black Lives Matter e abraçada pela esquerda (branca) americana. Com consequência dessa cultura, há a chamada “cultura do cancelamento”: a de se cancelar uma pessoa de modo a ela cair no ostracismo profissional ou social, podendo ser online, em redes sociais ou pessoalmente. A polícia moral da internet.

Todos sabem, grandes empresas cancelam imediatamente contratos caso seu contratado ofenda regras de comportamento impostas por estas culturas. Além de exagerado, o cancelamento é seletivo.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

Explico. Quando Sean Connery faleceu, em 2020, começou a receber suas justas homenagens nas redes sociais, até que alguém descobriu numa entrevista para a Playboy, em 1971, na qual ele havia dito: “Às vezes você tem que dar uns tapinhas nas mulheres pra endireitar elas”. Pronto, foi o que precisou para a eulogia online se transformar em um apedrejamento público. Connery nasceu em 1930, o que ele disse era o pensamento de um homem de sua época. Hoje é absurdo, na época não tanto.

Por outro lado, a estilista Coco Chanel foi amante de generais nazistas durante a invasão de Paris, traindo seu povo. Coco frequentava as festas de Hitler e compactuou com o Holocausto. Alguém fala mal dela? Não. Pelo contrário, é até hoje considerada um ícone do feminismo. O que os nazistas fizeram mesmo? O que Sean Connery disse mesmo? As redes sociais são o novo cigarro. Um dia vão descobrir o mal que fazem e que inclusive matam.

O Brasil está se tornando muito chato, como o resto do mundo. ,Muito sensível, e, graças a essas culturas exageradas do politicamente correto, difundidas pela esquerda brasileira, o preconceito tende a aumentar.

FRAME – Luciano Hang publicou vídeo para registrar os 30 dias afastado de suas redes sociais – Foto: ReproduçãoFRAME – Luciano Hang publicou vídeo para registrar os 30 dias afastado de suas redes sociais – Foto: Reprodução

Isso mesmo, essas “causas”, quando caem no exagero, só causam mais desigualdades. Isso é fato comprovado quando se cria cotas exclusivas para o público trans, por exemplo. Uma parcela da população que jamais teria preconceito contra pessoas trans começa a ter em face da injustiça na disputa pela vaga de trabalho. As cotas fundamentadas na chamada teoria da “ação afirmativa” deveriam ser somente sociais (para pessoas de baixa renda), e não raciais ou para o público LGBTQ+.

No Brasil dos anos 80, “Os Trapalhões” era o programa humorístico mais popular do país. Várias gerações cresceram assistindo. Didi Mocó e sua turma faziam piadas com negros (Mussum), gays (Dedé), nordestinos e pobres (Didi), carecas (Zacarias), e, ninguém se sentia ofendido.

Tópicos relacionados