O que é ‘tradwife’? Humorista de SC faz crítica ácida ao movimento e é detonada na internet

Humorista catarinense Giovana Fagundes criticou a onda 'tradwife' na internet e alguns seguidores não aprovaram; entenda o que significa o termo

Foto de Geovani Martins

Geovani Martins Florianópolis

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O movimento “tradwife” vem crescendo na internet e tem dividido a opinião das pessoas. Recentemente, a humorista catarinense Giovana Fagundes esteve envolvida em uma polêmica após gravar um vídeo criticando essa tendência.

tradwifeO movimento “tradwife” resgata o ideal de esposa perfeita dos anos 1950 e vem crescendo na internet – Foto: Reprodução/Internet Archive Book Images

O que é “tradwife”?

O termo é uma abreviação de traditional wife, neologismo que significa “esposa tradicional” em inglês.

Ele se refere às mulheres que, hoje em dia, escolhem abandonar suas carreiras no mercado de trabalho para ficar em casa e focar em atividades domésticas enquanto o marido trabalha fora, recuperando os papéis tradicionais do casamento.

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O movimento tem ganhado força na internet. Essas mulheres fazem uso de uma estética retrô dos anos 1950, com vestidos longos e aventais, realizando atividades domésticas como limpar a casa e preparar o jantar.

Elas gravam vídeos mostrando a rotina em casa e postam nas redes sociais. Alguns seguidores aprovam o movimento, elogiando a representação da dona de casa que se dedica ao lar, aos maridos e aos filhos. Outros criticam, alegando que isso apenas romantiza ideais machistas e esconde a existência de violência doméstica.

Humorista de SC critica movimento

Giovana Fagundes, humorista natural de Florianópolis e de grande sucesso na internet, gravou um vídeo onde reagia ao conteúdo de uma “tradwife” brasileira que mora na Austrália. A catarinense debochou do conteúdo e ironizou a rotina da mulher.

A humorista catarinense Giovana Fagundes esteve envolvida em polêmica após criticar uma “tradwife” – Foto: Reprodução/InstagramA humorista catarinense Giovana Fagundes esteve envolvida em polêmica após criticar uma “tradwife” – Foto: Reprodução/Instagram

No vídeo, a “tradwife” acorda às 4h20 da manhã. “Não! Tá errado acordar esse horário”, comentou a humorista. A esposa ainda se maqueia às 5h para preparar o café da manhã. “Meu Deus, você está se maquiando antes do marido acordar. Não é possível! Esse vídeo foi gravado em que século?”, questionou Giovana.

Após preparar o próprio pão e arrumar a mesa para a família, a esposa diz que não trocaria a sua vida por nenhuma carreira e que ser dona de casa em tempo integral é o que lhe traz alegria. “Bom demais mesmo, viver para servir. Não é nem mãe, é garçonete”, brincou a humorista”.

Veja o vídeo abaixo:

Seguidores criticaram humorista

Giovana Fagundes é um dos grandes destaques do stand up comedy feminino no Brasil, abordando temas feministas com bom humor e utilizando grandes doses de ironia ao falar de homens e situações machistas. O vídeo da humorista já ultrapassa 1,3 milhão de visualizações.

Mas algumas pessoas questionaram o feminismo da humorista: “O feminismo é justamente para isso! Ela poder escolher entre ser uma dona de casa ou ir trabalhar. Se ela escolheu isso, que seja feliz”, comentou uma seguidora. “Por que não respeitar a escolha dela? Só devemos respeitar o outro lado?”, questionou outra.

Uma terceira seguidora criticou mais duramente a humorista: “Achei bem desnecessário, se perdeu no personagem! Ela e muitas mulheres sentem prazer em cuidar de suas famílias, de criar boas memórias para seus filhos, de cultivar um lar. O feminismo deveria libertar as mulheres para que elas escolham o que querem fazer de suas vidas sem julgamentos, mas tu estás julgando”.

Giovana responde às críticas

Após os comentários negativos, a humorista catarinense gravou um novo vídeo em que responde às críticas e explica o porquê de ser contra o movimento “tradwife”.

Em um vídeo de mais de sete minutos, Giovana diz que o problema não está na escolha de abandonar a carreira para cuidar do lar, mas sim no discurso que acompanha o movimento.

“A questão não é sobre a escolha individual dessa mulher, mas sim sobre o discurso que invisibiliza uma série de camadas de violências e um dos principais mecanismo de opressão das mulheres até hoje”, explica.

Ainda, ela critica a ideia de que trabalho doméstico, como cuidar da família, preparar comida e manter a casa organizada não é “trabalho”.

“Isso tanto é um trabalho que a gente paga para pessoas fazerem isso. Para uma mulher fazer faxina na nossa casa, para uma babá ficar com os nossos filhos, para uma cozinheira passar o dia fazendo refeições para a família, para uma professora educar a criança. Tudo isso é trabalho”, defende ela.

Além disso, Giovana também argumenta que vender a ideia de que o lar é um lugar harmonioso pode esconder a violência doméstica presente em muitas casas.

“A mulher ter de atender uma série de expectativas dos homens cria espaços de extrema opressão. Os números mostram que onde as mulheres mais sofrem violência e até morte é dentro de casa, desse lar vendido como amoroso”, diz a humorista.

Veja a resposta de Giovana abaixo:

Nos primeiros meses de 2024, Santa Catarina viveu uma alta nos casos de violência contra a mulher, registrando 12 casos de feminicídio e 44 casos de tentativa desse tipo de crime somente nos primeiros cem dias do ano. A maioria dos casos ocorreu dentro de casa e os agressores eram os companheiros das vítimas.

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