Você verifica várias vezes se fechou a porta de casa ou do carro? A psicologia explica

Verificar várias vezes se trancou a porta de casa pode ser um sinal de transtorno de ansiedade

Foto de Amanda Sperotto

Amanda Sperotto Florianópolis

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Provavelmente você já passou pela situação de, pouco antes de dormir ou ao sair de casa, se perguntar: “fechei a porta?”. Há quem se levante da cama para verificar várias vezes se trancou a porta. Para algumas pessoas, esse comportamento é comum e normal, mas para outras pode ser um sinal de transtorno de ansiedade.

Verificar várias vezes a mesma coisa pode ser sinal de transtorno de ansiedade – Foto: Reprodução/NDVerificar várias vezes a mesma coisa pode ser sinal de transtorno de ansiedade – Foto: Reprodução/ND

Verificar várias vezes se trancou a porta de casa ou do carro

Imagine alguém que vai verificar várias vezes se trancou a porta e percorre a casa para garantir que tudo esteja em ordem. Esse comportamento pode indicar Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), um tipo de transtorno de ansiedade caracterizado por obsessões por controle e pensamentos negativos recorrentes associados a essa necessidade de controle.

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Embora muitos de nós possamos vivenciar momentos de incerteza, como antes de uma viagem pensar: “Será que fechei bem o gás? As janelas ficaram abertas?”, se isso se torna uma constante, pode levar a comportamentos compulsivos de controle.

Verificar várias vezes se trancou a porta Será que fechei mesmo a porta? Verificar constantemente pode ser Transtorno Obsessivo-Compulsivo – Foto: Reprodução/ND

Uma pesquisa recente da Universidade de Concordia em Montreal, publicada na Journal of Obsessive-Compulsive and Related Disorders, sugere que essa necessidade de controle pode ser motivada pelo medo de perder o domínio da situação.

“O estudo mostra que as pessoas que temem perder o controle tendem a se engajar em comportamentos de controle com mais frequência”, afirma Adam Radomsky, coautor da pesquisa.

Como foi realizada a pesquisa?

Para o estudo, os pesquisadores recrutaram 133 estudantes universitários e realizaram falsos eletroencefalogramas (EEG) para medir a atividade cerebral. Alguns receberam informações enganosas sobre o risco de perder o controle de seus pensamentos e ações, sendo aleatoriamente informados que tinham alto ou baixo risco.

Depois de acreditar que tinham maior ou menor controle sobre si mesmos, os participantes foram convidados a realizar uma tarefa no computador.

O objetivo era “controlar a velocidade das imagens”, fazendo-as desaparecer da tela antes que isso acontecesse naturalmente. O que eles não sabiam era que não tinham controle real sobre as imagens, que estavam programadas para aparecer e desaparecer em momentos determinados.

Pesquisa mostrou como TOC pode influenciar no dia a dia – Foto: Reprodução/NDPesquisa mostrou como TOC pode influenciar no dia a dia – Foto: Reprodução/ND

Os resultados mostraram que aqueles que acreditavam estar em maior risco de perder o controle de suas ações se comportaram de forma mais meticulosa e detalhista em comparação com os que acreditavam que manteriam o controle.

A conclusão da pesquisa foi a de que medos e crenças sobre a perda de controle, e a necessidade de verificar várias vezes se trancou a porta, podem aumentar o risco de diversos problemas, como transtorno do pânico, fobia social, TOC, transtorno de estresse pós-traumático, ansiedade generalizada, entre outros.

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