Orgasmo durante o treino? Sexóloga explica o que é coreorgasmo e como ter um

Mulheres relatam orgasmo enquanto fazem abdominais, ioga e até corrida. A causa do coreorgasmo não é totalmente compreendida, mas mas pode estar relacionada ao aumento de fluxo nos órgãos genitais

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Carolina Freitas Florianópolis

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Em 1953, quando Kinsey, um dos precursores na pesquisa e estudos da sexualidade humana, investigou e escreveu sobre o comportamento sexual na mulher, observou-se que aproximadamente 5% das mulheres entrevistadas relataram ter experimentado orgasmo durante o exercício físico.

Orgasmo durante o treino na academiaOs orgasmos que ocorrem fora de contextos explicitamente “sexuais” receberam, até então, menos atenção na pesquisa sobre sexualidade feminina – Foto: Pexels

Nos últimos anos, várias fontes, como revistas, blogs e rede sociais, inclusive citados em meus atendimentos e na plataforma Sexo sem Dúvida, têm descrito orgasmos induzidos por exercícios, muitas vezes chamados de “coreorgasmos”.

No entanto, devido à falta de evidências científicas sobre a relação desses orgasmos com a atividade muscular central, optarei por usar o termo “orgasmo induzido pelo exercício” nesta conversa, conforme utilizado na literatura científica.

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Você já gozou academia? É sabido que algumas pessoas já durante o exercício físico, especialmente devido ao estímulo de certos músculos, como os abdominais, pélvicos e das coxas.

Não é tão incomum algumas mulheres relatarem ter orgasmos enquanto fazem exercícios abdominais, ioga, levantamento de peso ou corrida. A causa exata desse fenômeno não é totalmente compreendida, mas pode estar relacionada ao aumento do fluxo sanguíneo nos órgãos genitais durante o exercício.

Uma proporção considerável de mulheres que experimenta o orgasmo durante movimentos físicos que não estão cultural e funcionalmente relacionados ao sexo. Isso sugere que o orgasmo induzido pelo exercício pode nos ensinar algo sobre o corpo feminino, a resposta orgástica e a relação entre orgasmo, sexo, prazer e reprodução.

Por exemplo, esses orgasmos costumam ocorrer na ausência de fantasias ou pensamentos sexualmente excitantes e sem pressão ou fricção clitoriana relacionada à roupa. Portanto, há várias razões para investigar os orgasmos e prazeres induzidos pelo exercício.

O que é a região do core e a relação com o orgasmo?

O termo “Coreorgasmo” se originou da associação de certos grupos musculares pélvicos, que compõem o que é conhecido os chamados centrais.

Estes grupos musculares centrais, que incluem em torno do ânus e a vagina, formam um complexo neuromuscular único, muitas vezes ativado por exercícios como abdominais e flexões.

O ”core ” refere-se aos músculos do tronco e da pelve que são essenciais para a estabilidade e postura da parte superior do corpo.

Além disso, o exercício está associado a uma maior sensação de bem-estar e satisfação com a vida, assim como a uma maior consciência corporal.

A força muscular do assoalho pélvico, em particular, tem sido correlacionada com a qualidade e frequência. E, ainda, libera neurotransmissores, como a endorfina, que vão aumentando a sensação de prazer. Prestar atenção às respostas do corpo é um caminho de autoconhecimento importante para a vida sexual.

Os orgasmos que ocorrem fora de contextos explicitamente “sexuais” receberam, até então,  menos atenção na pesquisa sobre sexualidade feminina.

Há relatos de mulheres experimentado a sensação durante exercícios abdominais, prática de ioga e ciclismo/spining e até mesmo durante o levantamento de peso.

Essas experiências mostram que mulheres podem alcançar o clímax independentemente da excitação sexual ou estimulação sexual. Isso desafia a ideia convencional de que gozar é uma experiência unicamente sexual.

Esses achados levantam a questão: será que o sexo é o único ambiente “natural” para o prazer das mulheres? Estamos preparadas para discutir esse aspecto da sexualidade feminina?

Todos os dias, mulheres experimentam o ápice – em sonhos, através de fantasias, durante masturbação, em relações sexuais com suas parcerias e, também, em exercícios físicos.

Como o estudo da sexualidade feminina, incluindo o orgasmo e o squirting (essa conversa virá depois), foi predominantemente conduzido por homens, e muitas vezes sob uma ótica misógina, e também pela medicina sexual patologizante que não valoriza o prazer feminino, este tema oferece às mulheres a oportunidade de reescreverem suas próprias narrativas.

Por fim, é importante lembrar que a pressão para alcançar o orgasmo é muitas vezes o maior obstáculo para atingi-lo. Saiba que a atividade física pode ser uma via para o prazer, mas não deve ser vista como uma obrigação ou uma meta a ser alcançada. Aproveite seu treino!

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