“E aí, vai casar quando?”, “seu primo acabou de conseguir um emprego novo, tá ganhando bem mais…”, “melhor comer só fruta, né”.
Dificilmente alguém nunca ouviu pelo menos uma dessas frases na ceia de Natal. Aquela época gostosa de se reunir com a família se tornou também um momento de cobrança e perguntas no mínimo constrangedoras, que vão bem além do “é pavê ou ‘pacumê’?”.
Mas como fugir dessas situações e passar o Natal em paz? E por que algumas pessoas (alô tios!) continuam insistindo em nos constranger na frente de toda a família? É o que os convidados do episódio do podcast aDiversa desta semana tentam responder.
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Convidados se divertiram ao compartilhar experiências – Foto: NDParticipam do podcast Bruna Fani Duarte da Rocha, doutoranda em Antropologia Social e integrante do Núcleo de Identidades de Gênero e Subjetividades da UFSC, e Natalia Zampieri, psicóloga e especialista em terapia cognitiva comportamental.
Para deixar o assunto mais divertido e bem-humorado também participa do episódio Suzaninha, produtora cultural de Florianópolis e sócia na Bafo Cultural. O editor do ND+ Gustavo Bruning cumpre a cota masculina.
Época de cobranças
Apesar dos pais serem tranquilos em relação à cobrança, Suzaninha já enfrentou situações constrangedoras quando participou da ceia na casa de amigas.
“Rolavam piadinhas que caíam num lugar de gordofobia, do tipo ‘vai repetir de novo?’ ou de homofobia, com a piadinha do peru, da rabanada… Mas essas reproduções de violência acabaram me fortalecendo”, contou.
Hoje a produtora passa o Natal com a família de amigos que escolheu e que a respeita como ela é. No entanto, muitas pessoas ainda convivem com familiares que não aceitam suas escolhas.
“Há uma pressão muito grande para que todos sejam felizes nessa época. O ‘tio do pavê’ representa aquela obrigação de antigamente, de estar em um relacionamento que vai agradar a família, e não você”, complementou a psicóloga Natalia.
Ela alertou que esse tipo de situação pode deixar a pessoa deprimida e com a sensação de culpa por não atender as expectativas.
Como fugir das piadas ‘de tio’ no Natal?
A resposta é simples. Seja passando o Natal com amigos ou criando uma válvula de escape, ninguém é obrigado a ficar triste em uma época considerada feliz.
“Quando você segmenta quem é a família próxima, de quem você gosta mesmo, é possível se blindar mais nesses contextos de festa. Você pode agir como quer e de forma confortável”, ressaltou Gustavo.
Só que às vezes é impossível fugir da família nas festividades, como lembrou Luciana. “É uma treta: as tias caem em cima. Então a primeira coisa é tirar essa questão da obrigação, você deve estar num lugar onde se sentem bem”, explicou.
Neste caso, a saída é criar estratégias para não se deixar abalar pelas piadinhas constrangedoras.
“O silêncio pode responder muita coisa… Dar uma resposta pode trazer satisfação na hora, mas não muda a situação. Ter um segundo Natal com os amigos, após a festa em família, é outra alternativa”, finalizou Natalia.
Sobre o podcast
O podcast aDiversa abre espaço para discutir assuntos que permeiam o dia a dia das mulheres, sempre com leveza, bom-humor e uma dose de polêmica. Os episódios apresentados por Luciana Barros vão ao ar todas as sextas-feiras, às 7h