Você já parou para pensar de onde vem a sua urgência em encontrar um namorado? Sobre por que mulheres têm medo de ficarem sozinhas ou, popularmente falando, “para titia”? Teriam as mulheres prazo de validade? 30 anos? 35 anos para engravidar? E se não quiser ter filho? Não serve para se relacionar? E se não quiser se casar?
Então vem comigo… Se você é uma pessoa que não acredita em contos de fadas, esta reflexão é para você. E se você acredita, leia e se permita mudar de ideia.
Como a pressão por um relacionamento pode ser danosa para mulheres – Foto: Jonathan Borba/Pexels/NDCulturalmente é ensinado às mulheres desde cedo que só se pode ser feliz se estiver em um relacionamento amoroso. Vejo essa procura constantemente nos atendimentos no consultório e na plataforma Sexo sem Dúvida. A busca pela pessoa certa é uma estrada a ser percorrida.
SeguirE aí vêm a ideia de amor romântico, que diz que você encontrará a pessoa certa para te completar, que você não vai mais se sentir sozinha, que o outro vai atender a todas as suas necessidades e que o desejo sexual aparecerá apenas entre vocês, caso contrário não é amor. Os contos de fadas ilustram exatamente tudo isso.
Além da pressão social para se estar em um relacionamento, há papéis socialmente esperados das mulheres. E nem sempre você vai se encaixar. Por exemplo, espera-se que a mulher seja uma boa dona de casa, boa mãe, mulher respeitável (leia-se contida sexualmente), mas que quando estiver em um relacionamento seja sexualmente ativa. E ainda espera-se que o homem seja provedor e respeitador. Sempre válido lembrar que respeito não é adjetivo masculino, mas sim o mínimo que pode se esperar de uma pessoa.
Hoje há ainda a expectativa de que amor e sexo andem juntos. O prazer sexual e a realização afetiva devem ser encontrados em uma mesma pessoa. E esta pessoa, a certa, é quem te trará uma vida sexual ativa e prazerosa.
Vejam só quantas expectativas sociais e padrões? Como lidar com tudo isso?
Primeiro e mais importante é você saber que ser sozinha é uma característica existencial do ser humano. E que desenvolver a capacidade de estar sozinha não vai te levar à solidão. Na verdade, vai te tornar mais pronta para se relacionar de forma saudável, pois se conhecer, perceber suas subjetividades e singularidades é importante.
A ideia é você ficar bem e estar com alguém porque gosta, porque quer e não porque precisa. Liberte-se da ideia de preencher um vazio ou pressão social por medo de “ficar para titia”.
Entender que essa normatização abre espaço para idealizações quase sempre inalcançáveis sobre as relações amorosas é fundamental. É essencial que você se relacione com a pessoa real, não com a imagem que você criou para ela. Caso contrário, a convivência te trará frustração.
O “desespero” na busca por um relacionamento pode te levar a imaginar que essa pessoa tem atributos que você gostaria, mas que ela não tem. E não terá… Nós não mudamos ninguém. Cuidado com as imposições culturais que podem te submeter a relações de risco. É você a principal responsável por manter sua boa autoestima, saber o que gosta e experimentar coisas novas.
É a conexão consigo mesma que desenvolve o autocuidado, não o outro.
Então, fuja do padrão se for essa a sua vontade. Construa sua história. Isso não faz de você “Triste, Louca ou Má”, como diz a música da banda Francisco, el Hombre.
Ter autoconhecimento e fomentar a autoestima é essencial para não cair em relacionamentos tóxicos ou violentos – Foto: Anna Shvets/Pexels/NDA canção retrata bem quem você, mulher, pode ser ao dizer que “um homem não te define, sua casa não te define, sua carne não te define, você é seu próprio lar”. Se você decide ficar solteira ou rejeita a “receita cultural”, isso também não te define.
Infelizmente a sociedade dita de forma cruel que é melhor você estar em um relacionamento, mesmo que abusivo (violento), a estar sozinha. E não é! Lembre-se, o que te define é aquilo que você quer ser e não o que é dito sobre você.
Se relacionar de forma saudável e ter uma vida sexual prazerosa é incrível, mas não é mágica. É construção. Amor é ação.
Minha sugestão é: comece este amor por você, pelo amor próprio. Este autoconhecimento é o que também te trará prazer sexual. É preciso que você, além de ser protagonista da sua história, a narre e edite quando preciso for.