Sexo após a maternidade: é normal não ter mais vontade depois que os filhos chegam?

Retomada da vida sexual após a maternidade é recomendada, necessária e saudável. Mas o quanto é possível? Carolina Freitas, mestre em Psicologia e especialista em sexualidade, aborda a questão

Foto de Carolina Freitas

Carolina Freitas Brasília

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Sexualidade e maternidade são assuntos que provocam inquietações. Mas conversar sobre os dois temas, inclusive assim, juntos, é de suma importância para entendermos estes dois quesitos que influenciam tanto a vida das mulheres.

Primeiro, é preciso desfazer a romantização da maternidade enquanto único lugar de plenitude feminina. Ser mãe é apenas um dos vários ângulos da vida de uma mulher, afinal, ao nos tornarmos mães não deixamos de ser esposas, amantes, namoradas, profissionais e tantas outras coisas.

Nascimento dos filhos afeta a vida sexual dos casais – Foto: Reprodução Pexels / NDNascimento dos filhos afeta a vida sexual dos casais – Foto: Reprodução Pexels / ND

De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), a sexualidade é um aspecto fundamental na qualidade de vida do ser humano, logo, da mulher. Sendo a saúde sexual uma condição indispensável para o bem-estar físico, psíquico e social.

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Por isso, a retomada da vida sexual após a maternidade é recomendada, necessária e saudável. Mas o quanto é possível? As alterações físicas e emocionais provocadas pela maternidade são reais e interferem nas vivências da sexualidade. É preciso que a mulher (re)construa sua autoconfiança, (re)conheça seu corpo e seus novos prazeres. Para isso, é essencial se sentir desejada e ser ‘desejante’ de sentir prazer.

Muitas vezes as mães esquecem (e temos aqui uma boa pitada cultural) de que seguem tendo o direito e a liberdade de sentir prazer mesmo após a chegada dos filhos. Mas e o outro lado? Os homens/pais colaboram para que isso aconteça?

Alterações hormonais, sobrecarga nos cuidados com os filhos, pressão pelos padrões estéticos, expectativas sobre o corpo, responsabilidade com as atividades domésticas e a com a vida profissional… O excesso de demandas afeta o modo como as mulheres percebem e vivenciam a própria sexualidade.

Muitas vezes, a falta de sexo – questão que afeta tantos relacionamentos após a chegada dos filhos – não acontece por falta de vontade, mas sim, pela necessidade extrema de descanso. Nem sempre é baixa libido, é exaustão mesmo.

Muitas mulheres e mães que estão em relacionamentos heterossexuais trazem ao consultório e à plataforma Sexo sem Dúvida, para a qual colaboro, a queixa de que seus companheiros não percebem a sobrecarga a que estão submetidas. Por isso, é imprescindível que eles compreendam isso e que as mulheres cobrem de seus companheiros a mesma responsabilidade que elas têm com os filhos, afinal, paternidade, além de amor, é ação.

O mito de que mulheres precisam menos de sexo do que homens

Que mulher nunca ouviu a frase “senão tiver em casa ele vai arrumar na rua”? A máxima de que homens precisam mais de sexo do que mulheres é mais uma das inúmeras crenças culturais que interferem nas vivências do pós-maternidade.

Tenha muito cuidado com a violência simbólica implícita neste conceito. Mulheres não têm a obrigação de atender às necessidades sexuais de seus companheiros. Antes de satisfazer o homem, o desejo feminino deve versar sobre a própria sexualidade, sobre ter uma vida sexual saudável e prazerosa. E para isso a comunicação é fundamental.

Exercer a sexualidade não significa necessariamente praticar o ato sexual, mas também construir intimidade, trocar carinhos e experiências – Foto: iStock/NDExercer a sexualidade não significa necessariamente praticar o ato sexual, mas também construir intimidade, trocar carinhos e experiências – Foto: iStock/ND

Descubra seus desejos e diga que quer ser seduzida. Verbalize claramente que o momento não é de pressa, mas de parceria, de presença ativa e agradável. É a partir daí que surgirão novos desejos e novas descobertas sexuais enquanto casal. Novos papéis, novos corpos, novos prazeres…

Neste Mês das Mães, convido vocês a se conhecerem mais independentemente da idade de seus filhos e filhas. Mães também transam, mas cada uma a seu tempo. A pressão social pode ser injusta com vocês, então, envolvam-se no redescobrimento dos seus corpos.

E entendam também que exercer a sexualidade não significa necessariamente praticar o ato sexual, mas também construir intimidade, trocar carinhos e experiências que levem ao autoconhecimento.

Descubra o que é erótico para você, o que te excita, o que te leva ao prazer. Que este Dia das Mães traga a seguinte reflexão: pelo direito de sermos mães e de ressignificar a sexualidade!

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