Seguindo nossas conversas sobre a sexualidade feminina e seus prazeres, convido você a refletir sobre um tema que tem despertado debates: o squirting ou ejaculação feminina.
Há décadas, a sexualidade feminina foi relegada ao silêncio, pouco estudada e frequentemente envolta em preconceitos. Falava-se pouco sobre o orgasmo feminino e sua complexidade, e muito menos sobre a possibilidade de uma mulher ejacular.
O squirting, ou ejaculação feminina, ainda é envolto em mistérios – Foto: PexelsNo entanto, nos últimos anos, o assunto tem ganhado destaque e a ejaculação feminina, também conhecida como “squirt” ou “squirting”, que significa esguicho ou jorro, tornou-se um tópico polêmico.
SeguirA pergunta que muitas pessoas se fazem é: existe realmente a ejaculação feminina ou é apenas urina? Esta questão tem gerado controvérsias e opiniões conflitantes entre especialistas e pessoas leigas.
No entanto, é importante ressaltar que a ausência de estudos definitivos sobre o assunto não nega a existência desse fenômeno. Apesar das controvérsias, a ejaculação feminina acontece. É uma realidade narrada por mulheres, uma experiência íntima e poderosa que merece ser reconhecida e compreendida.
A ejaculação é relatada pela maioria das mulheres que a vivenciam como extremamente prazerosa. A compreensão das propriedades da ejaculação feminina e suas ramificações é essencial para abordar questões específicas relacionadas à sexualidade feminina e à saúde reprodutiva.
Ter um squirting é diferente de urinar durante a relação sexual
Para entender melhor é importante diferenciar a ejaculação feminina do ato de urinar. A ejaculação feminina pode ocorrer durante o orgasmo e é caracterizada pela liberação de um líquido claro e inodoro pelas Glândulas de Skene, localizadas na entrada da uretra, próxima ao clitóris.
Este líquido, muitas vezes, é expelido com força e em quantidade variável, podendo até mesmo molhar o ambiente ao redor. Por outro lado, a urina é produzida pela bexiga e eliminada através da uretra.
Durante a atividade sexual, as mulheres podem expelir diversos tipos de fluidos. É essencial compreender que, embora a ejaculação seja expelida pela uretra, não se trata de urina.
Estudos científicos têm demonstrado que a composição do líquido ejaculado difere significativamente da urina. A urina possui um odor e cor específicos, além de não requerer estímulo sexual para ser liberada. Portanto, é crucial diferenciar a ejaculação feminina da lubrificação vaginal.
A lubrificação vaginal é o sinal fisiológico mais comum de excitação sexual. Trata-se de uma secreção que ocorre devido às glândulas de Bartholin, localizadas na parede da vagina, cuja função é lubrificar o canal vaginal. Isso prepara a mulher para a penetração e aumenta o prazer sexual.
Independente das opiniões divergentes, é inegável que muitas mulheres relatam experiências de squirting durante o sexo. Para algumas, o squirting é uma fonte de prazer intenso e uma expressão poderosa da sua sexualidade.
Para outras, pode ser motivo de constrangimento ou desconforto, especialmente se forem confrontadas com a falta de compreensão ou aceitação por parte da parceria.
Essa vivência é uma parte normal e saudável das respostas sexuais femininas e não deve ser vista como um problema a ser corrigido. Uma curiosidade interessante é que, na Índia antiga, esse fluido erótico feminino era conhecido como “néctar dos deuses”.
Nos relatos que ouço em meus atendimentos clínicos e no portal Sexo Sem Dúvida, muitas mulheres que experimentam a ejaculação feminina descrevem a existência de uma área sensível na parede anterior da vagina.
A estimulação dessa área é capaz de desencadear um esguicho prazeroso e, em alguns casos, um tipo de orgasmo diferente daquele provocado pela estimulação clitoriana.
É essencial quebrar os tabus em torno da ejaculação feminina e promover uma abordagem mais aberta e empática em relação ao assunto. A sexualidade feminina é complexa e diversa, e cada mulher tem suas próprias experiências e preferências.
Sim, você pode conseguir. No entanto, é importante ter muito cuidado com filmes e técnicas que “ensinam” as mulheres a ejacular. Quando algo como a ejaculação feminina é estabelecido como meta, muitas vezes perde-se grande parte do prazer do processo de expressão sensual e sexual.
Recomendo buscar informações e treinos dos músculos perineais com uma fisioterapeuta pélvica. Além disso, a psicoterapia focada na sexualidade pode ser indicada para quebrar tabus e mitos, além de ajudar a aprender mais sobre si mesma e seu prazer.
As mulheres devem aprender a desfrutar do que vivenciam e a se sentirem bem com a variedade de experiências sensuais e sexuais que consideram prazerosas
Por fim, ao discutir a ejaculação feminina, devemos valorizar a autonomia das mulheres sobre seus corpos e desejos, respeitando suas experiências individuais. Afinal, o prazer sexual é uma parte fundamental da saúde e do bem-estar de todos, independentemente do gênero.