Hello, Leitores! A matéria de hoje é sobre tatuagem que hoje em dia eu acredito que o preconceito sobre quem possui esse tipo de arte no corpo já deixou de ser um tabu para muita gente. Do meu ponto vista, vejo que as pessoas estão com a cabeça muito mais aberta em relação a isso e por isso realizei uma entrevista com um tatuador local e super talentoso, o Driin.
Driin, o tatuador entrevistado.- Foto: Reprodução Acervo Driin/Divulgação/NDDriin, conta um pouco sobre você, sua personalidade, formação e sua trajetória para os leitores do Mundo Maria.
“DRIIN, eu brinco que o “driin” é um personagem que criei para realizar meus sonhos. Por exemplo, saí de casa com 17 anos e fui morar em São Paulo. Porém, como minha criação foi toda numa cidade muito pequena, a grande metrópole me arrebentou e foi o estopim para uma grande mudança. Imagina você com 17 anos e infeliz, isso não deveria ser aceitável, então resolvi encher uma mochila de tinta, escrevi uma carta e com 18 anos aqui estava eu descendo no terminal Rita Maria sem saber o que poderia acontecer”, conta.
“Lá se vão 22 anos desse episódio e nesse tempo todo nunca tive emprego, isso fez com que aceitasse viver em tremenda simplicidade e perrengues. Demorei para acreditar mas quando comecei a vender meus primeiros desenhos, na época em camisetas e placas para publicidade, eu entendi que esse seria meu caminho”.
Seguir“Como todo bom libriano sempre fui de extremos, ao mesmo tempo que vivia jogado na praia e iniciando a tatuar, busquei uma formação acadêmica sendo graduado em design gráfico e depois um mestrado em arte, ambos na Udesc.”
De onde vem o teu amor pela arte, pelos desenhos e o que a arte significa na tua vida?
“Acredito que desenho desde sempre. Minha mãe é professora de arte e então sempre tinha muito material e inspiração ao meu alcance. A arte para mim é a maneira que consegui me comunicar com a vida. Foi sempre assim que consegui traçar diálogo com as pessoas e não me vejo sem estar envolvido com processos criativos e poéticos.”
Pintura por Driin. – Foto: Reprodução Acervo Driin/Divulgação/NDCom quantos anos tu fez a tua primeira tatuagem?
Driin fez sua primeira tattoo assim que chegou aqui na Ilha, quando tinha mais ou menos uns 18 anos. Ele me contou que pegou uma bicicleta, foi até a Barra da Lagoa no Studio do tatuador Stoppa e fez sua primeira, primeira de muitas.
Em média, sabes dizer quantas tattoos tu já fez?
“Imagina que tatuo desde 2000 e faz uns 10 anos que tatuo praticamente todos os dias e às vezes mais de uma tattoo por dia. São muitas histórias e marcas na pele das pessoas e consequentemente na minha vida.”
Tu tatuas só em Floripa ou já viajasse pra tatuar em outros lugares?
“Acho que a liberdade que minha profissão traz é impossível ficar tatuando em apenas um lugar. Já fiz viagens internacionais e sempre tento levar o equipamento quando viajo.”
Tu faz tatuagem só com estêncil ou faz free hand também?
“No universo da tatuagem existem vários estilos e maneiras de tatuar, cada trabalho requer uma maneira de fazer. Alguns trabalhos o projeto é inicialmente feito no papel (ou iPad atualmente) e transferido para pele através de um estêncil, onde as linhas já ficam marcadas na pele. Outros trabalhos são desenhados diretamente na pele por meio de uma caneta, que é o free hand, geralmente trabalhos maiores e onde se pretende um encaixe mais preciso entre linhas e anatomia. Utilizo as duas técnicas e não acho que nenhuma é melhor que a outra; apenas são maneiras diferentes de chegar num resultado.”
Conta um pouquinho da história do teu Studio e há quanto tempo ele existe?
Driin montou seu primeiro Studio em casa nos anos 2000, tinha uma pequena sala no Beco dos Surfistas na praia da Joaquina, e foi lá onde tudo começou. “Após quase cinco anos em casa, trabalhei em outros estúdios até que em 2013 montei a primeira versão do VIIDA TATTOO. Hoje estamos no Layback Park na Lagoa da Conceição e somos um espaço com oito artistas residentes e também recebemos pessoas de todos lugares do mundo, seja para trabalhar com a gente ou para receber uma tattoo. Tinha esse sonho desde que comecei a trabalhar com arte, existe uma troca gigantesca em viver dia a dia com diferentes artistas.”
Tu costumas tatuar mais mulheres ou homens?
Driin acredita que seu público hoje em dia é 60% feminino, talvez devido à temática e execução do trabalho, mas claro que oscila bastante tanto os estilos quanto o perfil do público.
Tatuagem feminina por Driin. – Foto: Reprodução Acervo Driin/Divulgação/NDQual o tipo de tatuagem mais procurada hoje em dia? Podes citar mais de uma é claro.
“Essa pergunta é muito difícil de responder. Desde que vivo a tatuagem sempre tem algum tema mais na “moda” porém com tanta informação fica mais fácil de fazer com que a tatuagem seja algo único para cada pessoa. O meu maior medo atualmente é a banalização da profissão, então dia a dia tento criar a tatuagem para cada um individualmente, pensando sempre no lado humano do “ritual”.”
Tu achas que ainda existe um preconceito em relação a quem tem tatuagem, ou esse tabu já foi quebrado?
“Preconceito está na cabeça de pessoas ignorantes, dizer que já acabou é acreditar em conto de fadas, porém acho que atualmente já está muito mais tranquilo. O preconceito será sempre velado, é uma forma de julgar as pessoas sem conhecer. Atualmente tem mais gente de terno fazendo absurdos sociais do que pessoas tatuadas.”
Tatuagem por Driin. – Foto: Reprodução Acervo Driin/Divulgação/NDQual a mensagem que tu deixarias para os leitores do Mundo Maria que tem vontade de fazer a sua primeira tattoo?
“A tatuagem tem o poder de nos deixar mais bonitos e mais fortes, não no que se refere apenas à estética e força física, mas sim nos aproximando de nossa alma e retratando ela na pele. Sempre que pensar em tatuar busque um artista que goste de fazer o estilo que você procura e que tenha respeito pelo trabalho e pela pessoa que a procura. E a mais única verdade é que tatuagem dói e vicia.”
E aí curtiram a entrevista? E eu tenho que admitir que é verdade, quem faz a primeira quer logo fazer a segunda, sou suspeita nesse assunto porque tenho algumas.