Um procedimento estético facial conhecido como “vampire facial”, que utiliza sangue humano, tem despertado interesse, principalmente entre as famosas. Mas a comunidade médica adverte que os resultados podem não ser tão milagrosos quanto parecem.
Famosas, como Kim Kardashian, já aderiram ao Vampire Facial – Foto: Reprodução/@kimkardashian/NDEficácia do Vampire Facial
Segundo a AAD (Academia Americana de Dermatologia), há poucas evidências conclusivas sobre a eficácia do tratamento, que envolve a injeção de PRP (plasma rico em plaquetas) na pele para reduzir rugas, melhorar a textura e combater sinais de envelhecimento.
De acordo com a AAD, “cirurgiões ortopédicos usam PRP para ajudar atletas a se recuperarem mais rapidamente após uma lesão. Na dermatologia, o PRP está sendo testado como um possível tratamento para queda de cabelo. O PRP também pode acelerar a cicatrização de feridas”.
SeguirComo é feito o Vampire Facial?
O PRP é obtido através de um processo de três etapas, onde uma pequena quantidade do sangue do paciente é retirado, da mesma forma que para um exame. O sangue é levado para laboratório e colocado em uma máquina chamada centrífuga, que separa as plaquetas.
As plaquetas são separadas em uma centrífuga e injetadas novamente na pele do rosto – Foto: Freepik/NDO dermatologista injeta o sangue, agora enriquecido com as plaqueta, no rosto da paciente utilizando uma seringa ou por microagulhamento.
Embora algumas pessoas relatem benefícios como redução de rugas e melhoria na complexão, a falta de estudos aprofundados deixa perguntas sem resposta sobre a segurança e a eficácia a longo prazo.
Segundo a AAD, os resultados do vampire facial podem durar até 18 meses, mas muitos pacientes precisam de múltiplas sessões para alcançar o efeito desejado.
Regulamentação
A popularidade do procedimento levanta questões sobre regulamentação, já que o PRP é classificado como dispositivo médico pela FDA (Food and Drug Administration/ agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos), sujeito a padrões menos rigorosos do que os medicamentos. Isso levanta preocupações sobre a esterilidade do sangue manipulado e a possibilidade de complicações.
Embora os dermatologistas considerem o procedimento seguro para a maioria dos pacientes, ele não é recomendado para aqueles com certas condições médicas, como hepatite C, HIV, câncer sanguíneo ou doenças cardiovasculares.
Vampire Facial e as clínicas clandestinas
É preciso ter muito cuidado ao fazer procedimentos – Foto: Freepik/NDAutoridades federais dos Estados Unidos revelaram em abril, que pelo menos três mulheres foram infectadas com o vírus HIV em um spa clandestino em Albuquerque.
A investigação revelou que haviam tubos de sangue sem rótulo armazenados junto com alimentos em um refrigerador, seringas não embaladas em gavetas e lixeiras, além de equipamentos descartáveis sendo reutilizados no local.
As três vítimas estavam entre um grupo de cinco pessoas que compartilhavam cepas de HIV altamente semelhantes, quatro tinham feito o procedimento “Vampire Facial” no mesmo spa.
O relatório dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças descreveu estas práticas como extremamente preocupantes.
A Dra. Anna M. Stadelman-Behar, epidemologista, alertou para a importância de verificar se a clínica onde será feito o procedimento é licenciada para fornecer serviços de injeção cosmética.