Uma pesquisa do Instituto Patrícia Galvão revelou que 45% das mulheres brasileiras já tiveram o corpo tocado sem consentimento em um local público. No entanto, apenas 5% dos homens admitem já ter feito isso. Entre as entrevistadas, 31% sofreram tentativa ou abuso sexual.
Quatro em cada dez mulheres já foram assediadas em local público – Foto: Divulgacão/O Trentino/NDO estudo “Percepções sobre controle, assédio e violência doméstica: vivências e práticas”, em parceria com o Ipec, ainda apontou que 41% das mulheres foram xingadas ou agredidas por dizer “não” a uma pessoa que estava interessada nelas.
Em relação à casos de assédio no transporte público, 32% das entrevistadas relataram já ter passado por uma situação de importunação sexual. Quando questionados sobre o assunto, nenhum homem declarou ter assediado ou importunado mulheres nesse ambiente.
SeguirEntre as situações de assédio mais comuns sofridas por mulheres estão piadas machistas e ofensivas (74%), elogios à aparência e/ou brincadeiras comentários pessoais invasivos por desconhecidos (62%) e cantadas agressivas, desrespeitosas ou ofensivas (56%).
Os homens foram questionados sobre se praticam atos de assédio ou importunação: apenas 13% admitem já ter feito elogios e comentários invasivos sobre a aparência de desconhecidos e 8% piadas machistas que desqualificam as mulheres.
Problemas no relacionamento
O estudo também fez perguntas sobre controle, perseguição e violência nos relacionamentos íntimos. Entre homens e mulheres, 44% dos entrevistados relataram que o parceiro/a já controlou sua rotina mesmo à distância.
Pelo menos 34% disseram que o parceiro/a já proibiu que saísse para determinados lugares e 33% que exigiu que bloqueasse ou excluísse amigos das redes sociais.
Após o fim do relacionamento, 30% dos entrevistados tiveram que bloquear o ex-parceiro/a nas redes sociais, 13% tiveram que mudar o número do telefone e 11% chegaram a registrar um boletim de ocorrência contra a pessoa.
Violência doméstica
Uma em cada quatro mulheres que já sofreram violência doméstica declara que as agressões acontecem com frequência. Quando questionadas sobre o motivo da agressão, 58% apontam o ciúme, 34% a agressividade e 31% o fato de o parceiro não querer ser contrariado.
Xingamentos, ameaças e ofensas são as agressões mais sofridas pelas mulheres (47%). Outros casos relatados foram ser empurrada ou sacudida (34%), ter apertado, beliscado ou torcido seu braço (26%) e ter sido humilhada ou ridicularizada em público (26%).
Sobre intervir em casos de briga entre casais, 93% dos entrevistados consideram que se deve intervir quando se depara com um homem agredindo uma mulher.
Sobre a pesquisa
O levantamento buscou compreender as experiências e percepções da população brasileira sobre recurso à violência, práticas invasivas e de controle, importunação, perseguição, assédio sexual e violência doméstica.
Foram ouvidos por telefone 1,2 mil pessoas, sendo 800 mulheres e 400 homens de todo o país. As entrevistas aconteceram entre 21 de julho e 1º de agosto.