Hino de Santa Catarina – Foto: Reprodução/InternetAinda sobre a mudança do hino de Santa Catarina proposta pela Assembleia legislativa, cabe lembrar que esse hino representa um tributo à libertação dos escravos quando diz que se quebraram “férreas cadeias”, algemas rolaram no chão e o povo com “flores e festas deu vida ao cativo”, e por aí afora. Era de se esperar que movimentos em defesa dos afrodescendentes tivessem se insurgido contra essa pretensão dos nossos deputados, alegando-se para tanto que se estaria tentando apagar da história um fato de extrema importância para a raça negra.
Registre-se, porém , que esse estranho silêncio dos grupos antirracismo também aconteceu quando o presidente Lula ,em Cabo Verde, agradeceu à África por tudo que foi produzido no Brasil nos 350 anos de escravidão, numa demonstração de que Lula menosprezou os meios empregados para se obter essa produção, de forma que o que caberia seria um pedido de perdão e não um agradecimento pelos resultados obtidos com essa barbárie cometida contra os escravos. Esse silêncio ainda permite que se levante a hipótese de que os grupos antirracistas chegaram à conclusão de que o período de escravidão envergonha tantos os brancos ( se é que ainda existem brancos no Brasil) pela crueldade, desumanidade e exploração do trabalho escravo, ao mesmo tempo em que revela a condição humilhante pela qual passaram os negros ( se é que ainda existem negros no Brasil), terrivelmente feridos em sua dignidade, de forma que ninguém sente orgulho dessa fase que foi só de desdouro para todos independentemente da cor.
Assim, está autorizada a impressão de que, ao invés de se escarafunchar o período da escravatura, tende-se para arquivar essa fase degradante de nossa história e que o melhor seria seguir em frente para orgulho do nosso Brasil moreno.