Agroindústrias de SC paralisam caminhões por medo de bloqueios em rodovias

‘Quem rodou carregado, quando voltou, não carregou mais’, diz Sindicarne

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Redação ND Chapecó

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Com o agravamento da paralisação dos caminhoneiros em Santa Catarina, algumas empresas do setor de carnes e derivados orientaram que suas frotas de transporte de carga paralisem suas as atividades por insegurança de novos bloqueios nas rodovias catarinenses.

Paralizações também ocorrem no trevo de acesso a Chapecó. – Foto: Reprodução/InternetParalizações também ocorrem no trevo de acesso a Chapecó. – Foto: Reprodução/Internet

A informação foi confirmada ao ND+, nesta quarta-feira (8), pelo Sindicarne (Sindicato das Indústrias da Carne e Derivados de SC). A entidade não citou quais empresas tomaram a decisão. 

“Por cautela, as empresas não estão deslocando seu pessoal. Todo mundo que rodou carregado hoje, quando os caminhões voltaram, não carregaram novamente”, destacou Jorge Luiz de Lima, diretor-executivo do Sindicarne. 

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A entidade diz que a decisão de parar as frotas, partiu das próprias empresas do setor agroindustrial. “Estamos tomando bastante cautela. A decisão é individual das empresas. Nós estamos monitorando a situação das rodovias, não temos nenhuma orientação individual. 

Lima teme que a situação provoque prejuízos para o setor nos próximos dias. “Isso pode gerar um efeito cascata mais para frente, pode ser um efeito negativo, igual a 2018”, disse.

A Fetrancesc (Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística no Estado de Santa Catarina) enviou nota em que afirma que não faz parte de qualquer movimento de bloqueio.

“O Sistema Fetrancesc repudia atos de bloqueios e impedimentos do tráfego de quaisquer veículos, sejam de pequeno ou grande porte, independente da quantidade de pessoas em seu interior. Tal atitude contraria o Direito Fundamental de ir e vir, assegurado pela Constituição Federal (art. 5º, XV), além de afrontar a democracia, uma vez em que todo e qualquer cidadão deve respeitar a livre manifestação, porém não é obrigado a integrá-la”.

A Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc) também se manifestou e pediu que os líderes da manifestação reavaliem os bloqueios.

“O movimento já causa prejuízos consideráveis para o setor industrial e ameaça a continuidade da produção e do transporte de insumos e produtos. O movimento poderá comprometer o cumprimento de contratos, afetando diretamente a competitividade de Santa Catarina e do Brasil, prejudicando o emprego e a renda”, afirmou em vídeo o presidente da Fiesc, Mario Cezar de Aguiar.

Navios deixam de descarregar

A paralisação dos caminhoneiros também mostra reflexos no porto de São Francisco do Sul, no Norte de Santa Catarina. Segundo a empresa, quatro navios deixaram de ser descarregados desde terça-feira (7). Isso significa que 41 mil toneladas de produtos siderúrgicos e fertilizantes não estão chegando às fábricas.

Paralisação dos caminhoneiros também mostra reflexos no porto de São Francisco do Sul – Foto: Reprodução/NDParalisação dos caminhoneiros também mostra reflexos no porto de São Francisco do Sul – Foto: Reprodução/ND

Nesta quarta-feira, a região Norte do Estado começou a verificar problemas de desabastecimento de combustível. Isso porque a base de armazenamento e distribuição, em Guaramirim, está bloqueada desde a manhã.  O Sindipetro (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Santa Catarina) disse que alguns caminhões conseguiram entrar e abastecer, no entanto, foram impedidos de deixar a base para levar o combustível aos postos.

A própria base confirmou que apenas 14 caminhões conseguiram abastecer e a média, de acordo com eles, é de 60 a 70 caminhões que carregam em volta de feriados.

Além disso, já há postos de combustíveis com estoques de gasolina zerados em Joinville, Schroeder e Rio Negrinho.

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