Quando o pescador Adinesio da Silveira, que mora em Palhoça, saiu para trabalhar no mar, no dia 19 de julho deste ano, não imaginava o prejuízo que iria ter. Uma tempestade deixou o mar muito revolto e ele precisou voltar às pressas para a costa, deixando suas redes no oceano. Os materiais custavam cerca de R$ 80 mil e nunca mais foram encontrados.
Adinesio é pescador há 36 anos e a profissão é repassada a cada geração de sua família- Foto: Arquivo Pessoal/ NDCom a ajuda da comunidade, o pescador conseguiu comprar uma parte do material que se perdeu mas ainda faltam equipamentos. Para resolver a questão e ver o homem de volta ao trabalho, Mateus da Silveira, um de seus quatro filhos, começou uma campanha nas redes sociais para arrecadar recursos.
“Eu comecei uma vaquinha para comprar os panos de rede dele, ele não sabia. Eu mandei para os meus contatos e foi se espalhando e as pessoas foram mandando valores”, conta.
SeguirMateus diz que Adinesio não gostou da ideia de fazer uma vaquinha no primeiro momento, mas depois aceitou a ajuda do filho. “Quando o pai descobriu, ele ficou bem bravo comigo. Depois foi se acalmando, ficando mais ‘de boas’, e nós entramos em um acordo”.
Segundo o jovem, o trato é também um propósito. Quando eles conseguirem recuperar os equipamentos que perderam, vão trabalhar para pagar todo o valor que receberam doando cestas básicas para outras pessoas.
“Como gesto de agradecimento à quem nos ajudou, vamos ajudar as pessoas também”, reflete Mateus. Ele calcula que deve levar um ano até que as coisas sejam todas resolvidas para a família.
A tempestade
Entre a partida do barco e o retorno à terra, a pesca em alto mar pode revelar surpresas aos tripulantes. A tempestade que levou os equipamentos de Adinesio aconteceu no dia 19 de julho. Ao perceber a mudança no clima, ele até tentou recolher a rede, mas não teve sucesso.
Sem tempo para apanhar os materiais antes que o mar ficasse instável, ele decidiu voltar à costa. “Era um vento e ondulação muito forte. Ele teve que tomar uma decisão entre preservar a vida dele e da tripulação ou pegar o material. Ele preferiu deixar o material dele, ir embora e manter a tripulação bem”, conta Mateus.
Junto com Adinesio estavam mais três homens, que costumam ir juntos à pescaria. Para tentar encontrar a rede, os pescadores voltaram ao mar várias vezes depois do incidente. No processo, usaram um equipamento chamado centopeia, com ferros nas pontas que serve para enrolar as redes que estão no mar. Ainda assim, os materiais não foram encontrados.
A campanha
A campanha está acontecendo para que pai e filho consigam recuperar as ferramentas de trabalho. Na pesca, redes, boias, cabos e chumbos são alguns dos materiais necessários para montar a rede.
Mateus criou a Vakinha para ajudar o pai na recuperação dos materiais de pesca – Foto: Arquivo Pessoal/ NDAlguns dos materiais foram recuperados com uma campanha inicial na comunidade. Eles também tiveram ajuda de um vendedor, que ofereceu parte dos utensílios para serem pagos quando a família recompor as finanças.
Além de conversar com a comunidade e com algumas pessoas influentes na política da pesca, Mateus criou uma “Vakinha” online. Na campanha postada em seu Instagram, ele disponibilizou uma chave pix para as doações.
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No fim, o jovem diz querer retribuir ao pai todo o apoio que recebeu ao longo da vida. “Queremos voltar a trabalhar, voltar a produzir e ter condições de manter a casa. Com isso a gente consegue voltar à estabilidade emocional também”, afirma.