A tragédia em Florianópolis após o rompimento de uma caixa d’água da Casan no bairro Monte Cristo, na madrugada desta quarta-feira (6) uniu muitos voluntários. Igrejas, escolas e comunidade, juntos, serviam os desabrigados que foram atingidos.
Moradores receberam doações de alimentos, roupas e abrigo – Foto: Ana Schoeller/NDSegundo a Casan, até o momento, 150 pessoas se cadastraram como atingidas pelo vazamento de água. Os relatos são os mais diversos. Pessoas que acordaram quase afogadas, estruturas que desmoronaram, carros destruídos e motos soterradas.
Supermercados, escolas, líderes comunitários e a igreja católica ajudavam os moradores concentrados no pátio da Capela Rosa Mística, uma Instituição da Igreja Católica.
Seguir“O que me fez vir foi a solidariedade. Não adianta só vir à missa, tem que fazer a nossa parte. Ninguém sabe o dia de amanha”, diz Claudete Carvalho Delfino, de 67 anos.
Claudete Carvalho Delfino, de 67 anos, ajudou na preparação do almoço – Foto: Ana Schoeller/NDAo lado de outras mulheres, Delfino ajuda na preparação do almoço para os atingidos pela tragédia.
Ela conta que não conseguiu “deixar para lá” e não ajudar. Frequentadora da capela há 28 anos, a voluntária está desde cedo ajudando as famílias.
Ao lado da voluntária, famílias se abrigam esperando pelo almoço. Crianças correm e alguns choram dizendo. “Perdi tudo, tudo mesmo”.
O cardápio, que precisou ser improvisado, incluía macarrão, salsicha, sanduíches, suco, água e frutas.
“Meu filho trabalha de motorista de aplicativo e chegou às 2h em casa pedindo para eu abrir a garagem porque a caixa d’água tinha estourado. E dali para cá eu recebi ligações de outros coordenadores para abrir a capela e receber as pessoas. Cerca de 20 famílias chegaram ainda de madrugada”, conta Adir Martins do Espírito Santo, coordenador da capela.
Adir atua no local há mais de 20 anos e ajudou a fundar e construir a capela. Como coordenador há três anos, era quase impossível falar com a autoridade. Oferecendo suco, abraçando pessoas e ouvindo histórias, o católico “sumia” em meio a tantas funções.
A Fundação Somar também doou mantimentos para os atingidos. Um carro da entidade chegou na Capela trazendo ajuda aos moradores.
“Eles são a nossa comunidade”
A diretora da escola estadual Pero Vaz De Caminha, também estava no local. Conversando com moradores e atingidos, Dulce Araci perguntou aos moradores o que eles estavam precisando.
“Direta ou indiretamente eles são a nossa comunidade. Vim ver o que precisam e assim fazermos arrecadações. Hoje, essas pessoas podem não ter filhos, mas logo terão, e como diretora devemos ajudar”, diz.
Alunos de escolas particulares também estavam no local. Ao lado de pastores evangélicos, os adolescentes levaram mantimentos e conversaram com a população.
Cadastro da Casan
No pátio da capela, os cadastradores da Casan faziam o levantamento dos atingidos pela tragédia. Com folhas, água e muita caneta, cada pessoa era atendida pelos servidores públicos que disseram que é preciso fazer um cadastramento para, no futuro, a população poder ser ressarcida.
Em coletiva de imprensa no fim da manhã desta quarta-feira, a Casan diz que espera em ao menos 48h ter um relatório inicial para que alguma quantia seja liberada aos familiares.
O presidente da Casan, Edson Moritz Martins da Silva, começou a sua fala aos jornalistas pedindo desculpas à população pelo acontecido, e disse que haverá apuração e responsabilização dos responsáveis.
Casa ficou destruída pela água – Foto: Léo Munhoz/ND