Quem passou pelas ruas do Centro de Florianópolis nos quatro dias de Carnaval não reconheceu o cenário que encontrou. Não tinha vai evem de foliões, não tinha ambulante, nem isopor, não tinha caixas de som.
Só mesmo uma pandemia de covid-19 para impedir uma das maiores festas populares da Capital catarinense. Enquanto se espera mais um ano, fica o vazio deixado nas ruas, rompido apenas pelo barulho dos pássaros, e a saudade da folia.
Rua Deodoro no Centro ficou vazia no último dia de Carnaval – Foto: Leo Munhoz/NDDiferente do que foi visto há dois anos, a terça-feira de Carnaval em Florianópolis foi de vazio pelas ruas. Na avenida Hercílio Luz e na Praça 15 de Novembro, não tinha grade, tapume nos prédios, ambulante vendendo bebida, churrasquinho,pizza ou glitter. Uma calmaria nesses dois principais pontos de concentração da folia na Capital.
SeguirPelas ruas do Centro, a única coisa que lembrava que era Carnaval era a decoração das poucas lojas abertas nesta terça-feira (1º). No mais, nem sinal de folia.
Nesse vazio das ruas, o folião Jeferson Luiz procurava algum lugar que pudesse ter uma música carnavalesca. “Estava aqui procurando, infelizmente só vai ter evento fechado”, frisou ele.
Jeferson Luiz arriscou uma ida ao Centro na expectativa de encontrar folia, mas foi embora frustado – Foto: Leo Munhoz/ND“O último dia (de Carnaval) vim ver aqui e não tem nada. Só nos lugares fechados e, particularmente, pra mim Carnaval não é em lugar fechado, é na rua. Achei que ia ter alguma coisa no Centro”, comentou Jeferson que se considera um típico carnavalesco. “Em anos anteriores já participei de desfiles das escolas de samba. E sempre vinha aqui para o Centro”, pontuou.
Lucas Ferreira também demonstrou descontentamento pelo cancelamento da festa carnavalesca. “Nunca deixei de vir. Uma pena não ter tido este ano, mais um ano por sinal. Na verdade acho que foi mal planejado. Acho que deveria ter a folia aqui no Centro, mas com alguns limites devido a pandemia”.
Lucas e Richard aproveitaram a tranquilidade e foram ao Centro – Foto: Leo Munhoz/NDRichard Gonçalves, ao contrário do amigo Lucas, nunca foi da folia de Carnaval e aproveitou a folga do feriado e a tranquilidade para dar uma “volta” pela região Central de Florianópolis.
Porém, concordou com o amigo de que poderia ter a festa, mas com restrições. “Nunca gostei de Carnaval. Mas não tem como parar as pessoas, quem não gosta que não vá”, disse.
Avaliação positiva no turismo
O superintendente de Turismo de Florianópolis, Vinicius de Lucca, disse que mesmo sem o Carnaval, houve uma boa ocupação da rede hoteleira na Capital, principalmente no Norte da Ilha.
Maioria dos visitantes vindos de São Paulo, Rio Grande do Sul e de outras cidades catarinenses. Segundo ele, o turista dos blocos não impacta na ocupação hoteleira nesse período.
Ponto de tradição do Carnaval de Florianópolis, a Escada do Rosário nem sinal de um folião – Foto: Leo Munhoz/NDDe acordo com ele, é vista a recuperação do turismo em Florianópolis, e observa como dura a recuperação da atividade este ano. “O turismo se recupera. Ainda não atingimos os patamares de 2020, mas caminhamos para isso. Temos uma retomada árdua, mas possível no setor em 2022, com foco nos eventos”, explicou o superintendente.
Ele prevê o retorno dos principais eventos geradores de fluxo turístico, como o RD Summit, o “Folianopolis”, as maratonas, o Iron Man, além do retorno da Fenaostra, do Floripa Conecta e da Parada da Diversidade.
“Florianópolis é um destino competitivo nos eventos -técnico-científicos, esportivos, corporativos. Os eventos, aliados à boa gastronomia – o Brasil tem descoberto que somos cidade criativa Unesco da gastronomia – e ao mesmo tempo descoberto que Floripa tem turismo de base comunitária e atividades para o ano todo”, comentou.
Segundo o superintendente, a atividade turística na Capital tem alguns desafios, como a tentativa de trazer novos voos internacionais, iniciar e finalizar até a próxima temporada obras importantes, como o alargamento das praias de Jurerê e Ingleses.