Brasil é o país que mais mata pessoas trans e travestis no mundo; confira

O total de mortes no Brasil em 2022 é um pouco menor do que 2021, que conta com 140 casos

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Redação ND Florianópolis

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O Brasil é o país com mais mortes de pessoas trans e travestis no mundo pelo 14º ano consecutivo, segundo o “Dossiê Assassinatos e violências contra travestis e transexuais brasileiras”, da Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais.

Já é o 14º ano consecutivo em que o Brasil é o país com mais mortes de pessoas trans e travestis – Arquivo/Divulgação/NDJá é o 14º ano consecutivo em que o Brasil é o país com mais mortes de pessoas trans e travestis – Arquivo/Divulgação/ND

O relatório aponta que 131 pessoas trans e travestis foram assassinadas no Brasil em 2022. México e Estados Unidos aparecem em seguida, respectivamente.

Conforme o dossiê, divulgado na quarta-feira (26) e encaminhado ao ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, indica que mulheres trans e travestis têm 38 vezes mais chances de serem assassinadas em relação aos homens trans e às pessoas não-binárias.

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Dos 131 casos, 130 são mortes de mulheres trans e travestis e uma de homem trans. Aproximadamente, 90% das vítimas tinham cerca de 15 a 40 anos, e, a pessoa mais jovem assassinada tinha apenas 15 anos.

O total de mortos de 2022 foi um pouco menor que de 2021, que tinha a soma de 140 vítimas.

No entanto, segundo a secretaria de Articulação Política da Antra, Bruna Benevides, não é possível falar de queda de casos, por conta de uma pequena diferença entre os anos de 2021 e 2022.

Para combater esses casos, ela fala que é importante a criação de políticas públicas para além das questões ligadas ao sistema de justiça ou segurança pública.

O pesquisador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Dennis Pacheco, afirmou que a secretaria está certa.

“Estamos falando de pessoas trans que precisam de política de educação, de saúde, de assistência social, de trabalho. Pessoas que precisam de acesso aos direitos básicos”, disse.

Qual o perfil das vítimas?

O dossiê aponta que o perfil dessas pessoas no Brasil são mulheres trans e travestis negras e pobres. E a prostituição é a maior fonte de renda das vítimas.

Desde que a associação se tornou responsável pelo levantamento anual de mortes foram ao menos 912 assassinatos de pessoas trans no Brasil, a média anual é de 121 casos.

O estado que mais registrou assassinatos foi Pernambuco, com 13 casos, seguido por São Paulo com 11 e Ceará com 11 vítimas também.

O total de 61% dos crimes aconteceram em lugares públicos, na maioria em ruas desertas e escuras, e entre os 131 assassinatos, somente em 32 casos foi identificado os suspeitos, e todos eram homens héteros.

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