A Aldeia Apido Paru, da terra indígena Tadarima, em Rondonópolis, vai ganhar a primeira “cacica” trans da história. Majur Traytowy, de 30 anos, assumiu a aldeia em agosto passado, logo após o afastamento de seu pai, então cacique. Não houve eleição, mas mas demais indígenas a aceitaram sem questionamentos.
Majur Traytowu, 30 anos, indígena e transexual, se tornou, oficialmente, cacica da Aldeia Apido Paru da Terra Indígena Tadarimana, em Rondonópolis – Foto: ReproduçãoO detalhe é que Majur iniciou agora em outubro a transição de gênero, com tratamento hormonal, iniciando a transformação corporal.
“Estou fazendo o processo de transição sem pressa, aos poucos. Primeiro quero mudar o meu corpo com hormônios e o procedimento já comecei. Futuramente vou para parte de cirurgia. Estou muito feliz, mesmo vendo o resultado, não somente eu, mas tem outras pessoas que estão curiosas de como será a minha mudança daqui para frente”.
SeguirA jovem exerce a função de cacique desde julho deste ano. Contudo, revela que não enfrenta dificuldades, pois acompanha o pai desde cedo em suas atividades.
“Pra mim, está sendo tranquilo. A gente já conseguiu muita coisa no decorrer do tempo que fui nomeada para assumir o cargo de cacique. Mas, antes disso, sempre estive do lado do meu pai ajudando, as coisas que aconteciam em nossa aldeia passavam por mim, para que eu pudesse aprovar”.Se descobrindo ‘trans’
Majur se descobriu transexual aos 12 anos, mas jamais sofreu problemas de aceitação. Aos 27, quando a família fundou a aldeia, passou a ajudar o pai nas decisões e no comando. A Tadarimana tem cerca de 800 indígenas em sete aldeias, em uma área de 10 mil hectares.