Quando Nilson Hasselstron e a esposa Adali Mercedes Hasselstron chegaram a Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, a cidade estava em pleno desenvolvimento. O ano era 1987 e o município vivia o auge de seus 70 anos. Natural de Guaraciaba, no Extremo-Oeste do Estado, Hasselstron escolheu Chapecó como lar, há 34 anos.
Hasselstron encontrou em Chapecó o lugar para construir e realizar seus maiores sonhos. Foto: Liamara Polli/Especial/NDNo dia [25 de agosto] em que o maior município do Oeste catarinense comemora 104 anos de uma trajetória de desafios e conquistas, o ND+ conta a história de pessoas que, apesar de não serem nascidas nessa terra, escolheram Chapecó para viver e formar suas vidas e famílias.
O desejo de uma vida melhor
Hasselstron trouxe na mala o desejo de uma vida melhor. Inspirado no trabalho que a irmã desenvolvia com a produção de chocolates, iniciou em Chapecó o seu próprio negócio: uma fábrica de chocolates artesanais totalmente familiar.
SeguirO empreendedor lembra que em Chapecó encontrou um povo hospitaleiro que o recebeu de braços abertos. A escolha pela cidade se deu pela oportunidade de crescimento, afinal, segundo ele, Chapecó estava em franco desenvolvimento.
Além da empresa, as terras chapecoenses também viram nascer e crescer a família Hasselstron. Em Chapecó nasceram os dois filhos do casal: Munick Maria Hasselstron e Aramis Gunar Hasselstron. Muitos sonhos e projetos saíram do papel na cidade que a família escolheu para chamar de sua.
“Chapecó é diferente, é um fenômeno. O brilho no olhar das pessoas muda nessa cidade. Chapecó me trouxe tudo que tenho de mais valioso. Não existe lugar melhor para se viver. Aqui tem qualidade de vida, segurança, bem-estar, amor e muita felicidade”, afirma.
O encantado mundo do chocolate
A fábrica da família produz chocolates 100% artesanais e super nobres, como é o caso do belga, além de importados e com recheios produzidos sem conservante e sem corantes. O respeito pelo cliente sempre foi um diferencial da empresa que atualmente tem uma lista de perder de vista de clientes.
A empresa denominada Mundo do Chocolate está localizada junto à casa da filha do casal, na rua Polônia, bairro Presidente Médici. Todos os dias o empresário, que é carinhosamente conhecido como Munick, pega sua cesta de doces nas mãos e segue rumo às vendas.
Pelas ruas de Chapecó ele percorre empresas comercializando seus produtos sempre com bom humor e um sorriso estampado no rosto – que nem mesmo a máscara é capaz de esconder o brilho.
Com uma variedade de itens, o empresário vem, ao longo de mais de três décadas, conquistando clientes e amigos. “Conheci muitas pessoas com a venda de chocolates. Hoje posso dizer que tenho amigos em vários lugares. Tudo isso graças a esse povo acolhedor que é o chapecoense, do qual já me considero parte”, destaca.
Nelson e a filha Munick que trabalha junto com o pai na fábrica de chocolates – Foto: Liamara Polli/Especial/NDMunick já é conhecido por onde passa e muitas são as histórias que viu e viveu em Chapecó. Ele lembra que quando chegou ao município tudo se limitava entre as ruas Uruguai e São Pedro e, com o tempo, viu a cidade “explodir” e se tornar o sonho de consumo de muitas pessoas que, assim como ele, vieram para essa terra.
“Não troco Chapecó por nenhum outro lugar do mundo. É uma cidade maravilhosa e cheia de encantos. Aqui tudo acontece”, acrescenta.
Maria Leite: um sonho que se tornou realidade
Natural da cidade de Ronda Alta, no Estado vizinho do Rio Grande do Sul, Maria Rampel Leite chegou a Chapecó há cerca de 21 anos. O destino foi o Distrito de Marechal Bormann, local onde iniciou a história do município e onde esteve a primeira sede política e administrativa da cidade. E foi justamente nessa região que Maria criou raízes e permanece até hoje.
Maria Rampel Leite chegou a Chapecó há 21 anos. – Foto: Liamara Polli/Especial/NDFoi no Bormann que Maria se instalou e construiu seus maiores sonhos. Casa própria, emprego como agente de saúde e uma família feliz. Aparentemente, Maria tinha tudo o que necessitava, mas o amor por Chapecó a fez mudar a vida de outras pessoas por meio de uma ação de solidariedade.
Há 9 anos o sonho do filho Lucas Rampel Cavalheiro, hoje com 23 anos, se tornou em um dos seus maiores objetivos de vida: o Maria Leite – Projeto Social. “Meu filho queria muito fazer escolinha de futebol, mas eu não tinha condições de matricular ele em uma. Então, um dia, ele me perguntou se poderíamos criar uma escolinha de futebol no bairro. Assim, ele poderia participar”, recorda.
O sonho se tornou real
O sonho de Lucas acabou se tornando uma meta para Maria e há 9 anos iniciou o projeto da escolinha de futebol que já mudou a vida de inúmeras famílias. De maneira totalmente voluntária, Maria e uma amiga deram o pontapé inicial e foram de casa em casa convidando as crianças para treinar.
O que começou com 20 alunos, hoje é um projeto com 157 alunos com idades entre 6 e 17 anos. Atualmente, são oferecidos treinos em cinco categorias (sub-7, sub-0, sub-11, sub-13 e sub-15).
As aulas são realizadas por 5 professores voluntários que ensinam muito além da prática do esporte, mas também de disciplina, responsabilidade e respeito.
As atividades ocorrem nos campos e ginásios do bairro e são, na maioria das vezes, alugados pelo projeto que conta com apoio da Prefeitura e do Programa Viver. Além dos treinos, o projeto ainda oferece lanche aos alunos e exige que eles possuam frequência e bom desempenho escolar.
“Vi muitas crianças que começaram no projeto se tornarem grandes homens, estudiosos e trabalhadores. Inúmeras famílias me contam das mudanças que o projeto social ofereceu à vida deles e isso é muito gratificante”, observa.
Tudo que Chapecó proporcionou
Maria Leite tem quatro filhos – duas meninas e dois meninos – e encontrou em Chapecó e, principalmente, no Distrito de Marechal Bormann, tudo que precisava para ser feliz. Hoje, o trabalho social com as crianças é uma motivação diária para ajudar a transformar a vida das pessoas de sua terra querida.
“É uma cidade hospitaleira, que cresce e se desenvolve e que tem muitas oportunidades. As pessoas são diferentes nessa cidade, não tem nem explicação. Já estive em outras cidades, até tive propostas para me mudar, mas eu amo mesmo é esse lugar”, enfatiza.
Pelas ruas do Distrito de Marechal Bormann Maria Leite já ajudou muita gente. Seja com o trabalho de agente de saúde como com o projeto social Maria Leite. Com brilho no olhar de quem encontrou em Chapecó tudo aquilo que buscava, Maria afirma: “Não troco Chapecó por nada. Nunca mais eu vou sair do Bormann”.