“Lutamos tanto para ter as coisas, é tudo tão difícil, tão suado e de repente acontece essas coisas e perdemos tudo”. O lamento está nítido na voz e na expressão da dona de casa Terezinha Poleza, que teve a casa atingida pelos alagamentos que se multiplicaram por Joinville, no Norte de Santa Catarina, na quarta-feira (10).
Após passagem de ciclone extratropical, Joinville contabiliza os estragos – Foto: Carlos Jr./NDA maior cidade do Estado ficou debaixo d’água após a passagem do ciclone extratropical. Os estragos continuam sendo contabilizados, mas o cenário era de devastação na quarta-feira e continua na quinta-feira (11), dia de limpeza e empilhar o que foi perdido.
Terezinha lembra que foi pega desprevenida na casa em que mora há apenas três meses. “A situação está crítica, o rio transbordou e nós fomos pegos desprevenidos. Choveu muito, acordamos e a água já estava bem pertinho. Conseguimos socorrer algumas coisas, colocamos para o alto, fechamos as portas e fomos para a igreja. De lá, nos trouxeram para o abrigo”, lembra.
SeguirA dona de casa e a família ficaram em um dos abrigos montados pelo município para as famílias atingidas pelas chuvas em toda a cidade. Nesta quinta-feira, garante ela, é dia de muito trabalho, afinal, a casa foi invadida pela água. “Hoje é dia de ir para casa, ver como estão as coisas, limpar, aproveitar o que dá e jogar fora o que não tem mais jeito. Perdemos muita comida porque a água entrou em tudo”, diz.
Se para Terezinha a experiência foi inédita, para a dona de casa Cléia Regina Correia é a terceira vez que a água obriga a família a sair de casa. Moradora do bairro Morro do Meio, Cleia foi uma das pessoas que usaram o abrigo montado na Escola Municipal Dr. Ruben Roberto Schmidlin, onde os filhos estudam.
“Começou a chover e na hora a água começou a entrar também. Não é a primeira vez, é a terceira e nós sempre viemos para cá, eles sempre nos ajudam, nos tratam bem. Meus filhos estudam aqui e ficamos felizes em ter esse espaço, nem todos têm”, fala.
Enquanto a mãe arruma as coisas, o pequeno Luiz Francisco Laguna corria pelos corredores que já conhece bem. Aluno da escola, o garoto estava com a família, usando o espaço como abrigo depois que a chuva invadiu sua casa. “Eu lembro que a mãe falou para ajudar a levantar as coisas e sair. O sentimento agora é de felicidade né? Porque eles deixaram a gente vir e ficar aqui”, diz.
Abrigos foram montados na cidade para atender as famílias atingidas pelas chuvas – Foto: Mikael Melo/NDTVDurante a quinta-feira, a Defesa Civil deve trabalhar para consolidar os dados dos danos causados pelas chuvas. Na quarta-feira, foram cerca de 75 famílias que procuraram os abrigos e mais de 15 bairros foram atingidos na cidade.