Os cinco conselhos comunitários de Florianópolis realizaram na noite desta segunda-feira (13), em Canavieiras, Norte da Ilha, uma reunião extraordinária para discutir o saneamento básico da Capital. Segundo a organização, representantes da prefeitura foram convidados para participar do encontro, mas ninguém apareceu.
Conselhos comunitários e a comunidade discutiram o problema do saneamento em Florianópolis – Foto: Paulo Rolemberg/NDDurante a reunião foi cobrada o fim de pautas e ações paliativas para resolver o problema de saneamento de Florianópolis. Também demonstraram preocupação com a caótica situação do rio do Brás, em Canasvieiras, e a possibilidade da poluição em outros rios da região Norte da Ilha.
“Os conselhos vão continuar cobrando. A não presença deles (integrantes da prefeitura) aqui realmente é inaceitável. O rio do Brás continua poluído, no momento que estourar a foz do Rio e vai poluir novamente a praia”, afirmou Luiz Cesar Costa presidente do Codeni (Conselho de Desenvolvimento do Norte da Ilha).
Seguir“Agora está fechado, mas agora está indo para o rio Papaquara, vai desbocar no rio Ratones. E vai chegar em Santo Antônio de Lisboa, Sambaqui. Então a solução, com certeza, é fazer uma ação definitiva”, completou.
Para ele, se a Casan não consegue cumprir o contrato que fez com a prefeitura, a solução é desfazer o contrato com a companhia estatal de saneamento. “Está na hora de repensar essa concessão de água e esgoto na cidade de Florianópolis“, pontuou.
De acordo com números divulgados pelos conselhos, Canasvieiras já tem quase 80% de cobertura da rede de esgoto, enquanto o bairro dos Ingleses, o mais populoso da Capital, não teria nem 50% de rede.
Segundo José Alfredo Estanislau, presidente do Codecen (Conselho de Desenvolvimento do Centro), o problema que afeta, principalmente o Norte da Ilha diz respeito a toda Florianópolis.
“Nós dos conselhos devemos estar unidos. Para poder procurar levar nossa insatisfação ao poder público. Gostaríamos que as pessoas que detém o poder, ouvissem a comunidade, a insatisfação que nós estamos vivendo neste momento”, reclamou.
Momento é de caos
José Luiz Sardá, presidente do Instituto SOS Rio do Brás, disse que a situação é de caos na região Norte inteira da Ilha, desde o rio Papaquara, passando pelo Rio Veríssimo, até o Sambaqui.
José Luiz Sardá, do Instituto SOS Rio do Brás, durante reunião dos conselhos comunitários – Foto: Paulo Rolemberg/ND“Esse momento da questão do saneamento, esgoto, é sério”, reforçou ele, ao emendar que vê o prefeito Topázio Neto com a vontade de fazer alguma coisa. “Só que a nossa preocupação é que isso não caia naquele faz de conta”, completou.
“O que foi do continente hoje com essas condições que a gente sabe que não dá para tomar banho e o que pode se tornar os nossos balneários aqui no Norte da Ilha”, disse Sardá.
Injetar oxigênio no rio
Sardá anunciou que foi apresentado um projeto piloto para melhorar a saúde do rio do Brás a Floram (Fundação Municipal do Meio Ambiente de Florianópolis). A ideia é a introdução de oxigênio dissolvido na água do rio. “
Todo rio tem que respirar, nós precisamos de oxigênio. E a fauna e a flora daquele rio precisa. Nós queremos fazer um experimento e que não tem nada de contaminação, é oxigênio, é um equipamento renovador que funciona em outros rios, inclusive nos com dejetos de suínos, e foi testado no Nordeste”, destacou ele, que pediu apoio do Codeni na causa.
Também participaram da reunião, a presidente do Codeli (Conselho de Desenvolvimento do Leste da Ilha), Roxana Shinohara, e Rodrigo Soares do Codesi (Conselho de Desenvolvimento do Sul da Ilha).