Coreógrafa da Cia. Lápis de Seda, Analu Ciscato foi convidada para ministrar a oficina gratuita “Acessibilidade na dança”, neste sábado (28), das 15h30 às 17h30, na programação do Festival de Dança Prêmio Desterro.
Coreógrafa Analu Ciscato – Foto: Divulgação/NDO evento ocorre no Teatro Ademir Rosa, no CIC, até 5 de fevereiro e reúne profissionais de diversas regiões do país. Nesta entrevista, ela fala sobre a importância da inclusão.
Como está estruturada Cia Lápis de Seda, criada em 2013 ?
“Inclusão” é um termo polêmico, sempre foi, ao longo da história. A verdade dura é que a nossa sociedade é estruturada sobre uma base de segregação das minorias, com o estabelecimento claro de uma figura de aceitação: o normal.
A nossa proposta é ir na direção contrária do que vimos até aqui em relação às minorias: nós juntamos, unimos, somamos, agregamos, incluímos. A Lápis de Seda nasce dessa ideia.
A formação se dá em um ambiente inclusivo, formado por pessoas com e sem deficiência, onde cada um explora sua individualidade e seu lugar no grupo.
Qual a importância de conquistar os palcos?
É urgente ocupar esses lugares, porque as pessoas que os frequentam se tornam um pouco mais tolerantes a cada contato. Eu quero ver pessoas com deficiência conquistando esses lugares inimagináveis, quero ver essas pessoas nos aeroportos, nos hotéis, nas manifestações populares, no Congresso, nas grandes empresas, começando seus próprios negócios, ganhando bons salários, se casando, formando suas famílias, vivendo o máximo que a vida pode oferecer.
Acredito que ainda vou ver essas conquistas. Quando essa população cresce, toda a sociedade cresce junto. Eu, você e todo mundo ainda temos muito o que aprender com eles, da mesma forma como estamos aprendendo muita coisa com os movimentos negros, das mulheres e da população GLBTQIA+.
Como o movimento pode ajudar na questão da inclusão?
Acho que o nosso trabalho é replicável por essência, em qualquer área de trabalho. Se antes incluir era a grande novidade, agora é a grande necessidade. A sociedade, especialmente as novas gerações, traz demandas de diversidade, quer ver essa diversidade no seu dia a dia, quer ver essa revolução acontecer.
E nós estaremos lá para isso: mostrar para todo mundo que inclusão é uma possibilidade e uma necessidade, com muito orgulho e muita alegria de conquistar cada novo espaço.