Dezenas de famílias indígenas desabrigadas após conflito em Chapecó se deslocam para Mafra

Pai do cacique do acampamento em Mafra seria um dos indígenas desabrigados em Chapecó

Foto de Redação ND

Redação ND Joinville

Receba as principais notícias no WhatsApp

Ao menos 40 famílias indígenas que ficaram desabrigadas após um conflito na Aldeia Condá em Chapecó, no Oeste do Estado, se deslocaram para Mafra, no Planalto Norte de Santa Catarina, neste domingo (30). Segundo a prefeitura, três ônibus fretados por particulares teriam realizado o transporte dos indígenas para o município.

Casas e carros foram incendiados durante a confusão na aldeia indígena em Chapecó – Foto: Divulgação/Arquivo/NDCasas e carros foram incendiados durante a confusão na aldeia indígena em Chapecó – Foto: Divulgação/Arquivo/ND

O motivo deste deslocamento seria uma relação familiar estreita entre os grupos, de acordo com a prefeitura de Mafra. O pai do cacique do acampamento em Mafra seria um dos indígenas desabrigados em Chapecó.

O cacique de Mafra, então, teria ido até Chapecó, “onde indicou que os índios que acompanhavam seu pai viessem para Mafra em uma suposta terra indígena homologada na cidade, o que não é fato”, diz a prefeitura de Mafra em nota oficial.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

Os indígenas estão acampados em um local já conhecido pela permanência de outros grupos, ao lado da rodoviária de Mafra. Ainda de acordo com a prefeitura, foram oferecidas outras alternativas ao grupo oriundo de Chapecó, que optou por se instalar junto ao acampamento ao lado da rodoviária.

“Há liberdade de escolha dos índios nas suas decisões”, afirma o município.

Funai também ofereceu outro local para famílias indígenas

A Coordenação Técnica Local da Funai de Curitiba, responsável pela jurisdição de Mafra, afirma que tentou convencer o grupo para que se deslocasse para áreas homologadas, tanto em Santa Catarina como no Rio Grande do Sul, mas sem sucesso.

“Os indígenas têm o direito de todo cidadão brasileiro de ir, vir e permanecer; não fazemos tutela orfanológica de impedir o trânsito dos indígenas ou mesmo a remoção de famílias de onde quer que estejam”, afirma o órgão.

Ainda de acordo com a Funai, o município deverá atualizar os cadastros dos integrantes das famílias indígenas caso permaneçam no local, para que possam acessar os direitos disponibilizados pelo governo.

“É sabido que o local onde eles estão no momento não é adequado para o contingente de pessoas assim, então haverá esforços para que a situação seja temporária e se resolva da maneira mais breve possível, levando em consideração a vulnerabilidade que as famílias se encontram, e as dificuldades que o governo municipal enfrentará para o atendimento das famílias”, informa a Funai.

Entenda o conflito entre as famílias indígenas

O conflito que resultou no deslocamento das famílias de Chapecó para Mafra começou no dia 16 de julho. Segundo a Polícia Militar, um grupo indígena não estaria aceitando o novo cacique eleito na Aldeia Condá.

No amanhecer do dia 16, alguns indígenas do grupo opositor teriam ido até o local onde ocorria uma festa e começaram uma briga generalizada. Dois indígenas foram alvejados por tiros, informou a polícia.

Uma pessoa morreu e mais de 200 pessoas ficaram desabrigadas após o conflito, e foram recebidas no ginásio Ivo Silveira, em Chapecó, ainda no final da tarde de domingo.

No dia 17, o cacique da aldeia, Efésio Siqueira, anunciou a expulsão dos grupos opositores. “A comunidade optou que eles não entrassem mais na aldeia, porque não é somente na minha gestão que esse pessoal vem fazendo esse tumulto”, disse Siqueira.

O cacique também mencionou que os indígenas realizarão um abaixo-assinado para mostrar que a maioria não aceita mais os membros da oposição na comunidade.

“Fico triste com o ponto que chegou essa situação. O que a comunidade está pedindo agora é justiça pela morte deste jovem”, avalia Siqueira. “Esse conflito aconteceu devido à bebida alcoólica”, ressalta.

Tópicos relacionados