O primeiro ano da pandemia de Covid-19 no Brasil coincide com uma data marcada pela luta por igualdade: o Dia Internacional da Mulher. As flores e chocolates deram lugar, nos últimos anos, à reflexão sobr o lugar da mulher na sociedade.
O 8 de março se tornou um momento de debate sobre igualdade de gênero, sobrecarga, carga mental e combate à violência. Neste último ano, a pandemia deu força a outra discussão: a importância da mulher no universo científico e no combate ao coronavírus.
No Dia da Mulher, o ND+ celebra a história de mulheres que se dedicam ao combate à pandemia na linha de frente – Arte: ND/Fotos: Divulgação/Gabriela Milanezi – ND/Rafael Simões/Leo Munhoz – NDNesta série, o ND+ conta histórias de médicas, enfermeiras e pesquisadoras que dedicaram suas vidas a combater a Covid-19. Esta é a nossa humilde homenagem às mulheres em 2021.
Maioria na Saúde
Qualquer pessoa que já passou por um hospital percebe que a maioria dos profissionais da saúde é mulher, mas os números ajudam a comprovar esta percepção.
De acordo com Relatório de Gênero 2020: A jornada do pesquisador através de uma lente de gênero (Gender report 2020: The Researcher Journey Through a Gender Lens, no original), as mulheres são maioria em oito áreas de pesquisa científica no Brasil, incluindo Medicina e Enfermagem.
Uma dessas mulheres é a pesquisadora Ana Marisa Chudzinski-Tavassi. Natural de Canoinhas, no Norte catarinense, é responsável pela equipe que desenvolve o soro anti-Covid no Instituto Butantan, em São Paulo.
“Eu acredito muito na ciência. Para atuar nesta área precisa estudar muito, precisa de incentivo, precisa de infraestrutura e precisa correr atrás quando existe algum problema”, comenta Ana sobre o desafio de fazer ciência no Brasil.
No mesmo time de Ana Marisa, o das cientistas, estão as pesquisadoras Gislaine Fongaro, Maria Luiza Bazzo e Patricia Hermes Stoco, que integram uma força-tarefa na UFSC que trabalha incansavelmente no diagnóstico, sequenciamento e vigilância ambiental do SARS-CoV-2, vírus que provoca a Covid-19.
Do outro lado, no atendimento aos que são infectados pelo vírus, outras profissionais seguem na linha de frente. Trabalhadoras como a médica de família Fernanda Melchior, de 31 anos, de Florianópolis, que ajudou a criar o Alô Saúde, serviço de atendimento pré-clínico gratuito oferecido pela prefeitura e que salva vidas na Capital catarinense.
Ou a fisioterapeuta Ellen Santanna, 33 anos, de Blumenau, que tem entre suas funções ajudar a intubar pacientes graves de Covid-19 prestes a seguirem para a UTI. Contamos ainda a história da enfermeira Tatiana Tarkina, de 39 anos, que atende todos os dias pacientes nos mais diferentes graus de infecção pelo coronavírus em Florianópolis.
A enfermeira Tatiana Tarkina conta que último ano foi desgastante para além de suas condições físicas e emocionais – Foto: Leo Munhoz/NDO combate à Covid-19 é capitaneado por mulheres, de todos os lados: na pesquisa, no atendimento, na cura. No entanto, apesar de serem mais de 60% das pesquisadoras científicas de vida e saúde, apenas 14% integram a Academia Brasileira de Ciências. Este é só mais um campo que reflete a desigualdade de gênero no Brasil.
É para dar espaço e voz para estas mulheres que hoje o ND+ conta suas histórias e cumprimenta a todas, em especial as que deixam suas casas todos os dias para combater um inimigo invisível e mortal.
Confira todas as reportagens desta série:
>> De SC para o Butantan: quem é a pesquisadora por trás do soro anti-Covid
>> Conheça a médica por trás do Alô Saúde que salva vidas em Florianópolis
>> “Não somos treinadas para perder”, diz enfermeira de SC na linha de frente da Covid-19
>> Pesquisadoras da UFSC desenvolvem trabalho crucial no combate à pandemia
>> Fisioterapeuta de UTI em SC relata as tristezas da linha de frente na pandemia
