O ano era 1928. Bertha Lutz percorria o Brasil em campanha pelo voto feminino. Ao lado de outras pioneiras, participou da criação da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino. Luta que resultou, em 1932, no reconhecimento do direito das mulheres ao voto pelo presidente Getúlio Vargas.
Luta resultou, em 1932, no reconhecimento do direito das mulheres ao voto pelo presidente Getúlio Vargas – Foto: Reprodução/NDTV RecordTVBertha chegou a atuar como parlamentar. Embora não eleita diretamente, assumiu como suplente de deputada em 1936. Atuou na revisão da lei sobre o trabalho da mulher e do menor. Defendeu a igualdade salarial e licença de três meses para a gestante, além da redução da jornada, então de 13 horas diárias. Apenas algumas das lutas e conquistas que viriam pela frente.
A professora de pós-graduação em História da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) Joana Maria Pedro contou que as mulheres não tinham “o direito de receber herança, de ter a guarda dos filhos em caso de separação. O próprio direito de divórcio, em 1977, que deu principalmente para as mulheres que se separavam a possibilidade de se casar novamente”.
Em 1928, Bertha Luz percorria o Brasil em campanha pelo voto feminino – Foto: Reprodução/NDTV RecordTVNo começo do século 19, as brasileiras não podiam estudar, trabalhar ou divorciar-se. Hoje, as mulheres são maioria entre o eleitorado brasileiro e catarinense. Elas representam 52,87% (78 milhões) do eleitorado no Brasil e 51,9% (2.674.761) em Santa Catarina.
Em contrapartida, ficam muito atrás quando se fala em representantes eleitos. No parlamento catarinense, em 2018, dos quarenta deputados eleitos, apenas 5 foram mulheres. Nas eleições municipais de 2020, a discrepância também é gigante. Entre as 295 prefeituras em disputa, só 28 foram conquistadas por elas.
Ao lado de outras pioneiras, Bertha participou da criação da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino – Foto: Reprodução/NDTV RecordTVAo longo dos anos foram instituídas medidas com o objetivo de mudar esse cenário, como a obrigatoriedade de preenchimento mínimo de 30% e máximo de 70% de candidatos de cada sexo nas eleições proporcionais. Mas o TRE-SC (Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina) acredita que ainda há pontos para melhorar.
Segundo o diretor da Escola Judiciária Eleitoral de Santa Catarina, Marcelo Pons Meirelles, “a lei exige 30% das cotas femininas nas candidaturas, mas a gente percebe que muitas vezes até os partidos têm dificuldades de preencher essas cotas”.
Eleita recentemente a primeira mulher no cargo de presidente da OAB/SC (Ordem dos Advogados em Santa Catarina), Cláudia Prudêncio, defende a participação feminina na política, no mercado de trabalho, em todas as áreas.
“Eu sou muito grata a todas as mulheres que me antecederam, que me oportunizaram, que me encorajaram. Hoje, eu consigo fazer com que tantas outras mulheres percebam e saibam que elas também têm condições e que elas também podem fazer a diferença”, disse a presidente da OAB/SC.
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