“Estou tirando o chapéu para o pessoal de Santa Catarina.” É assim que Evaldo, uma das mais de duas milhões de pessoas atingidas pelas chuvas no RS (Rio Grande do Sul), recebe o carinho e apoio dos catarinenses. Uma equipe de 15 pessoas saiu de Joinville, no Norte do Estado, para preparar marmitas para as famílias afetadas. Em dois dias, foram mais de 600 produzidas.
Moradores de Joinville vão ao RS preparar marmita às famílias desabrigadas – Foto: Gladionor Ramos/NDTVA ação ocorre em uma igreja em São Leopoldo, uma das cidades mais atingidas pelas enchentes no Estado vizinho. As portas do local estão abertas para receber e alimentar pessoas desabrigadas pelas chuvas.
“Hoje entendi um pouco mais o tamanho do coração do povo de Santa Catarina”, disse o pastor Jonathan Borges. Segundo o pastor, a maior doação que chegou até o local foi enviado por catarinenses.
SeguirE Ruan Lucas de Limas é um dos muitos voluntários que fazem parte dessa corrente de solidariedade. Ele é supervisor de vendas e conseguiu adiantar o período de férias para ir até o RS ajudar os gaúchos. “A gente se comove com toda a situação, acabou se juntando com todos os amigos para ajudar de alguma forma, fazer o mínimo para todos que estão precisando”, contou.
Segundo Ruan, muitos voluntários deixaram a família em Joinville para ajudar aqueles que, no momento, só contam com a solidariedade de desconhecidos.
Marmitas e doações para o povo gaúcho
Evaldo é um dos moradores do Rio Grande do Sul que foi atingido pelas enchentes. Ele foi até a igreja para receber marmita e ver a mobilização dos catarinenses. “É muito bom saber o que estão fazendo, e estão fazendo coisa que não dá para acreditar”, contou.
Os alimentos para produzir as marmitas chegaram em uma carreta que levou, de Joinville, cerca de 30 toneladas de donativos. Além dos itens de alimentação, também foram levadas centenas de peças de roupas, cobertores, produtos de higiene pessoal e limpeza, fraldas e leite.
O veículo chegou à cidade graças a Juliano Bertuoel, empresário de Santa Catarina que decidiu ajudar da forma que podia. “Vale a pena todo esforço que a gente faz, porque as pessoas aqui realmente estão precisando. Está bem difícil a situação, porque mesmo com o tempo bom hoje, está alagando tudo de novo”, relatou.
Segundo Luís Fernando Duarte, um dos organizadores da ação, as pessoas envolvidas no preparo das marmitas toparam a ideia de primeira. “Todo mundo se reuniu sem medir esforços e estão virados desde às 5h da manhã”, contou o promotor de eventos.
Os voluntários fazem marmitas para o almoço e janta de centenas de pessoas. “Dói ver tudo isso, mas o conforto de ver o agradecimento quando a pessoa pega uma marmita recompensa tudo”, afirmou Luís.
Solidariedade a quem perdeu tudo
Com as doações chegando e a produção de marmitas a todo vapor, muitas famílias são beneficiadas em São Leopoldo.
Como a dona Matilde Baréia, que é aposentada e precisou, junto com a família, deixar a casa onde moravam. A água tomou todo o imóvel e não foi possível salvar nada.
“Perdi toda a minha casa com tudo dentro, estou sem nada. Estou abrigada na casa de uma amiga, em uma peça, com um colchão de solteiro para quatro pessoas, dois adultos e duas crianças. Quando voltar em casa não sei nem se tenho documento”, contou dona Matilde.
Segundo a idosa, a situação da região é ‘terrível’. Em entrevista à equipe da NDTV Record Joinville, dona Matilde se emocionou ao relatar o que ela e a família estão enfrentando. “Perder tudo que eu tinha, anos de vida, de trabalho, perder tudo, tudo, tudo, ficar sem nada, não é fácil. Mas Deus vai dar força para seguirmos em frente.”
Com a ajuda que começa em Joinville, com a arrecadação de doações, até a a produção de marmitas nas cidades atingidas, os voluntários e pessoas com o coração cheio de vontade de ajudar o povo gaúcho, fazem toda a diferença na reconstrução de uma vida digna.
“Muito obrigado ao pessoal de Santa Catarina que estão em peso aqui”, disse Evaldo.
Veja a mobilização dos voluntários no RS
*Com informações de Márcio Falcão/NDTV.