Representantes de 11 denominações religiosas realizam nesta terça-feira (21), em 21 cidades do Brasil atos em defesa do Estado laico e contra a intolerância religiosa.
No Brasil, a celebração do dia 21 de janeiro acontece desde 2007 como o ‘Dia do Combate à Intolerância Religiosa’ – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/NDA Frente Inter-Religiosa Dom Paulo Evaristo Arns por Justiça e Paz é a responsável pela organização das manifestações. Reuni representantes das religiões de matriz africana, católicos, evangélicos, kardecistas, judeus, muçulmanos, mórmons, budistas, lideranças espirituais indígenas, entre outros.
O pastor evangélico Ariovaldo Ramos, integrante da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, percebe que os casos de preconceito religioso vem crescendo nos últimos anos:
Seguir“Notamos que houve um aumento da incidência de casos de intolerância logo no início do governo Michel Temer. Esta onda arrefeceu e a nossa grande preocupação agora é a manutenção do Estado laico. A presença religiosa no Estado está ficando cada vez maior e vemos pela primeira vez um governo se apoiando em um segmento religioso para manter a esperança de continuar no poder”, diz o pastor Ariovaldo.
Leia também:
- São Paulo aprova lei que pune discriminação religiosa
- Após ataques, estátua de Iemanjá é recuperada no Ribeirão da Ilha
21 cidades brasileiras recebem atos nesta terça
Estão previstos atos em São Paulo, Porto Alegre (RS), Brasília (DF), Rio de Janeiro (RJ), Vitória (ES), Salvador (BA), Aracaju (SE), Maceió (AL), Recife (PE), Natal (RN), Fortaleza (CE), São Luís (MA), Belém (PA) e Boa Vista (RR), além de várias cidades do interior.
Templos evangélicos alinhados à defesa do Estado laico como forma de reforçar o simbolismo das manifestações serão palco dos eventos. Os evangélicos são hoje uma das principais forças de apoio ao governo Jair Bolsonaro.
Data é celebrada há 13 anos no Brasil
Mundialmente, a data leva o nome de ‘Dia da Religião’. Já no Brasil, a celebração do dia 21 de janeiro acontece desde 2007, conhecido como o ‘Dia do Combate à Intolerância Religiosa’, desde que houve a aprovação de uma lei como reconhecimento à história da lyalorixá baiana Mãe Gilda.
Uma das principais lideranças no candomblé baiano, Gilda sofreu um infarto fulminante em 21 de janeiro de 2000, após seu rosto ter estampado a capa da Folha Universal, panfleto da Igreja Universal do Reino de Deus, gerando uma onda de ataques contra ela e seu terreiro. Sua foto veio seguida da manchete “Macumbeiros charlatões ameaçam a bolsa e a vida dos clientes”.