O Dia Internacional da Igualdade Feminina, comemorado em 26 de agosto, marca uma trajetória de lutas, e ações, pela equidade de gênero nas mais diferentes esferas da sociedade.
A data foi instituída em 1973, em homenagem à conquista do voto feminino nos Estados Unidos, e permanece sendo uma pauta atual e livre para o questionamento: o quanto evoluímos nos últimos anos?
Mulheres são ouvidas no Dia da Igualdade Feminina – Foto: Ada Bahl/NDSe pararmos para analisar, há apenas 60 anos as mulheres conquistaram o pleno direito de exercer uma profissão. Até 1962, o trabalho feminino estava sujeito a autorização do marido. Em 1977, a Lei do Divórcio é aprovada, e, apenas em 2002, a “falta de virgindade” deixa de ser crime no Brasil.
SeguirDiante desses fatos, o grupo ND foi às ruas ouvir a opinião das mulheres sobre a evolução dos direitos femininos através dos anos.
A sobrecarga feminina foi um dos principais pontos de discussão entre as abordadas. Para Carolina, mãe e pai de três filhos, o autocuidado foi negligenciado. “É muito puxado para a mulher. Por exemplo, eu, como sou o pai e a mãe, é muito pesado e acaba que eu não tenho tempo pra mim, tempo para cuidar de mim. E os homens não pensam nesses detalhes”, diz.
Para Cleide, muitos dos problemas enfrentados hoje, poderiam ser solucionados, ou amenizados, com uma maior atuação feminina em cargos políticos. “Nós é que temos que lutar por nós, preservarmos nossos direitos e conquistarmos nossos direitos”, diz.
Mulheres só conquistaram o direito de votar em 1932 – Foto: Ada Bahl/NDCandidaturas femininas têm recorde de 33% em 2022
Segundo dados do TSE, o Brasil tem recorde de candidaturas femininas nestas eleições. São 211 candidaturas a mais que na última eleição. Porém, apesar da conquista, elas ainda são minoria na política, representando, apenas, 33% do total.
De acordo com a representante do Conselho Estadual da Mulher e professora da UDESC, Gláucia Oliveira de Assis, Antonieta de Barros foi revolucionária. Ela foi a primeira mulher deputada eleita em Santa Catarina, em 1934.
“Ela voltou em 1946 e, depois dela, só em 1988 com Luci Choinacki. Isso vale pra deputada federal, estadual e câmaras de Santa Catarina: a representatividade feminina é muito pequena. Aqui em Florianópolis, por exemplo, ficamos um longo período sem vereadoras. Nesta legislatura é que conseguimos, depois de 13 anos, se não me engano“, explica.
Professora Gláucia também participa do Observatório da Violência em Santa Catarina – Foto: Ada Bahl/ND“Você tem uma casa legislativa muito masculina, a gente tem que interferir nos direitos das mulheres”, complementa a professora. E Cleide concorda: “Se nós tivéssemos políticas que garantissem esse cuidado das crianças, os homens não precisariam se preocupar em contratar mulheres”, se referindo a relutância de algumas lideranças masculinas na contratação de um público feminino.
“A gente pode mudar o destino do país e das políticas públicas que favoreçam mais a igualdade de gênero. Se houvesse uma maior participação das mulheres nessas casas, talvez contribuísse para maior sensibilidade a problemas que atingem as mulheres, por exemplo, também a desigualdade salarial”, diz Gláucia.
De acordo com o relatório Global Gender Gap 2022, do Fórum Econômico Mundial, mulheres ganham 32% menos do que os homens, em média. O estudo englobou dados de 146 países, em 2022.
“É uma luta por igualdade. De acesso à educação, de não precisar pedir para o marido para separar ou trabalhar. Coisas que aconteciam nos anos 50, 60”, diz a professora.
Linha temporal de grandes conquistas para as mulheres – Foto: Ada Bahl/NDOutro dado alarmante é de que até 1979 as mulheres eram proibidas de jogar futebol, na justificativa de que isso feria a chamada “natureza feminina”, e, somente a partir de 1988, a Constituição Brasileira passou a reconhecer mulheres com os “mesmos direitos” e deveres dos homens.
Para algumas, a sociedade evoluiu bastante na equiparação entre os gêneros. “Agora a gente pode fazer muita coisa. Hoje a gente tem que trabalhar por eles também. Às vezes eles ficam em casa e a gente que trabalha”, diz Daya.
Lei Maria da Penha foi instituída em 2006, 23 anos depois da primeira tentativa de Homicídio à farmacêutica – Foto: Ada Bahl/ND“Hoje as mulheres estão bem mais independentes. Antes, elas não podiam se separar, mesmo que quisessem”, relembra Maria. E as que iam contra essas políticas “eram taxadas de loucas, mal casadas, mal amadas. Como se tivessem pedindo algo que não era da sua natureza”, complementa Gláucia.
Vale lembrar que a Lei Maria da Penha, um marco histórico pelo combate a violência contra a mulher, foi instituída em 2006, 23 anos depois da primeira tentativa de homicídio à farmacêutica, por pressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos.
Em contrapartida, outras entrevistadas não se convencem somente com os feitos já realizados. “Nós não estamos longe do antigamente, continuamos paradas numa situação vergonhosa para nós. Dá para melhorar muito”, diz Cleide. “Ainda tem muita luta para as mulheres”, completa a professora.
O fato é: o Brasil ocupa a 94° posição no ranking de igualdade de gênero entre os países, sendo o antepenúltimo da região da América Latina e Caribe, segundo o Global Gender Gap 2022. O levantamento estima que serão necessários 132 anos para atingir a equidade entre sexos.
Podcast aDiversa
Para abordar de forma descontraída o universo feminino e tudo que o engloba, a editoria Diversa+ lançou, nesta sexta-feira (26), o Podcast aDiversa, em alusão ao Dia Internacional da Igualdade da Mulher.
aDiversa, o podcast da editoria Diversa+, estreia nesta sexta-feira (26) – Foto: Divulgação/NDOs episódios, apresentados pela editora do ND+ Luciana Barros, serão lançados todas às sextas-feiras, às 7h, na página da Diversa+. O formato ainda conta com uma apresentadora convidada do Grupo ND, e outros convidados para trazerem “pontos e contrapontos” sobre o tema.
“Iniciativas como essa são fundamentais para o letramento de gênero, para o processo de autoconhecimento e libertação das mulheres, que muitas vezes estão apenas cumprindo papéis que foram desenhados para elas, sem levar em conta seus direitos, desejos e propósitos”, destaca.
Podcast tem a apresentação da editora do ND+ Luciana Barros – Foto: Leo Munhoz/NDAlém da programação prevista, o podcast também vai contar com um toque “apimentado” da apresentadora Maryeva Oliveira, com seu quadro fixo “Pimenta da Maryeva”, que promete divertir e levantar polêmicas, de maneira divertida, sobre os temas discutidos.
Confira o primeiro episódio sobre “Empreendedorismo Feminino”, aqui.