A família que teve a casa totalmente incendiada na madrugada do dia 21 de outubro, no bairro Tapera, em Florianópolis, busca doações. O técnico de informática Alex Amorim Flores, 22 anos, ficou apenas com a roupa do corpo quando resgatou o pai, 46, e a avó, 70.
Casa foi incendiada no bairro Tapera, em Florianópolis, durante a madrugada de 21 de outubro – Foto: Defesa Civil Florianópolis/Divulgação/NDO incêndio começou quando o homem — dependente químico há muitos anos — derrubou um cigarro que fumava no sofá em um dos quartos. Como a estrutura era de madeira, a casa na rua Areias foi rapidamente tomada pelas chamas.
“Foi muito rápido, não deu nem cinco minutos, a mãe estava dormindo, mas consegui tirar ela e depois ele”, relata.
SeguirO jovem conta que vive temporariamente na casa de um tio a poucas quadras de sua antiga casa, com a avó Lourdes — que chama de mãe — e mais três familiares. O pai foi levado ao Instituto de Psiquiatria, instituição pública de saúde localizada em São José, na Grande Florianópolis.
“Vive eu, minha mãe, meu tio, a esposa e a filhinha deles. Como a casa é pequena, está apertado para eles. Precisamos de um lugar para morar”, diz.
Relatos iniciais eram de que o incêndio teria sido criminoso, o que não foi comprovado. Segundo a Polícia Civil, foi lavrado um Termo Circunstanciado pela Polícia Militar no local e a ocorrência foi encerrada. O documento será enviado ao fórum e, se entenderem de forma diferente do que a PM entendeu, então será realizado um complemento das diligências.
Família precisa de doações
Desde o incidente, eles receberam doações de roupas e um fogão, mas precisam de outros móveis, além de encontrar uma nova casa. Por conta da perda dos documentos, estão com dificuldades para sacar o salário mínimo da aposentadoria de Lourdes, única renda da família, já que Alex está desempregado.
Para ter acesso ao aluguel social oferecido pela prefeitura são necessários documentos de identificação. Como estão sem renda, não teriam dinheiro para sequer pagar a taxa de emissão da nova certidão de nascimento de Lourdes, que é natural de Maravilha, no Oeste catarinense.
Procurada pela reportagem, a SMDU (Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano) informou que os moradores foram incluídos no benefício da habitação, mas precisam providenciar os documentos. Além disso, informou que a gratuidade das taxas é garantida pelo Estado em casos como esse.
“Eles precisam ir ao cartório, apresentar os documentos dados pela SMDU, Defesa Civil, que comprovem o ocorrido e a situação dele. O cartório não poderá cobrar essa taxa de emissão. Se não conseguirem direto no cartório, eles precisam procurar a defensoria pública”, explicou a secretaria.
No entanto, Alex não havia sido informado sobre como proceder até a última quinta-feira (4). Nesta segunda-feira (8) ele disse que, como a certidão é de outro município, o cartório de Maravilha pediu que a taxa de envio fosse paga pela família.
“Como é urgente eles disseram que só pagando porque lá demora.” O caso ainda não havia sido solucionado até a publicação desta reportagem.
Conforme a prefeitura, eles serão incluídos no benefício do Auxílio Habitacional, o aluguel social, que concede o valor de até 70% do salário mínimo nacional vigente, ou seja, cerca de R$ 770.
Outro problema apontado por Alex, que já iniciou as buscas pela nova casa, é que, como o benefício será concedido a cada dois meses, convencer os proprietários a aceitar o pagamento desta forma é um desafio. A secretaria afirmou que conversa com os proprietários para garantir que o aluguel seja concluído.
“A SMDU atende hoje 58 famílias com o benefício e a questão é equacionada por todos. A Secretaria entra em contato com os proprietários dos imóveis, explica o que ocorre, esclarecem as dúvidas e dá todos os encaminhamentos possíveis”, diz.
Como doar
Além de móveis e eletrodomésticos, itens de higiene pessoal e calçados também são necessários. As doações podem ser realizadas pelo (48) 98816-7805 e entregues na servidão Floresta, 640, no bairro Tapera, Sul da Ilha.