Florianópolis caiu para a terceira posição nas cidades mais procuradas por imigrantes em Santa Catarina. A constatação veio da pesquisa “Sinais Vitais”, diagnóstico desenvolvido pelo ICOM (Instituto Comunitário Grande Florianópolis).
Segundo o estudo, até 2019, Florianópolis era o principal destino no Estado e, em 2021, caiu para a terceira posição. De acordo com a pesquisa do Icom, a mudança se deve a uma participação maior de cidades como Joinville e Chapecó na busca dos imigrantes. As nacionalidades que mais se destacaram foram venezuelanos, argentinos, haitianos, cubanos e russos.
Florianópolis passou a ser 3° destino mais procurado em Santa Catarina. Na foto, imigrantes venezuelanos na Praça XV, região central da cidade – Foto: Arquivo/Flávio Tin/NDRenda não acompanha instrução
Segundo a pesquisa, a renda dos trabalhadores migrantes não acompanha o seu nível de instrução, exceto no grupo de pós-graduação. Grande parte dos migrantes (81,48%) com vínculos formais de trabalho possuíam nível médio e superior completo. A maior parte dos migrantes (79,97%) tinha remuneração entre 1e 2 salários mínimos. A análise dos dados apontou que, quanto maior a faixa de renda, menor a presença de mulheres migrantes com empregos formais.
SeguirEm 2021, 3.725 migrantes de 68 nacionalidades estavam cadastrados no Cadúnico em Florianópolis. Suas famílias recebiam até meio salário mínimo por integrante ou renda mensal total de até três salários mínimos. Pretos e pardos eram a maioria dos cadastrados com 62,26%, seguidos de brancos com 36,75%.
A maior parte dos migrantes possuíam Ensino Médio Completo (37,23%) ou Ensino Superior (20,59%). Havia um número significativo de migrantes (1721 ou 46,20%) vivendo em situação de pobreza ou extrema pobreza. Das pessoas cadastradas, 721 eram crianças e adolescentes (19,11%), porém havia pouco ou nenhum registro em serviços como o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos e o acolhimento institucional da Prefeitura.
Uso do sistema público:
O diagnóstico constatou que na educação básica, a maioria das matrículas de migrantes estão nas unidades escolares do ensino público de Florianópolis. Em 2021, foram registradas 1.693matrículas de 77 nacionalidades diferentes. Dessas, 67% foram registradas em escolas públicas, enquanto 33% em escolas privadas. As inscrições foram realizadas em 207 escolas municipais, dentre elas o Instituto Estadual da Educação se destacou com a maior porcentagem de matriculados, com 7,1% (121 alunos).
Das nacionalidades levantadas, em 2021, havia 3.564 migrantes cadastrados nas unidades de saúde, destacando-se a venezuelana e a haitiana, em todas as regiões da cidade, mas concentrados na região central, continental e norte.
Os atendimentos ocorreram majoritariamente (98%) em unidades públicas de saúde, a maior parte deles nas Unidades de Pronto Atendimento e nos centros de saúde locais. Grande parte dos migrantes cadastrados eram da faixa etária de 18 a 59anos (77,53%), em seguida estava o grupo das crianças e adolescentes (18,71%).As unidades de saúde que mais realizaram atendimentos foram a UPA Norte, UPA Continente e o Centro de Saúde Novo Continente.
Empregos
Em Florianópolis, 4.448 migrantes estavam empregados com carteira assinada em2021. As principais nacionalidades com vínculos formais eram Venezuela, Haiti, Argentina, Uruguai e Naturalidade Brasileira. A maior parte desses trabalhadores eram homens (55,87%) e jovens entre 18 a 29 anos (40,60%). Em relação às principais ocupações, encontravam-se a área de vendas e serviços em lojas e mercados com 62,30% e serviços administrativos com 15,65%.