Após praticamente um dia viajando em trens fugindo da guerra, a família da catarinense Kelly Müller, que estava na Ucrânia, conseguiu chegar à Polônia.
Kelly Müller, Mikaela e Fábio Wilke conseguiram chegar e estão em um hotel na Polônia – Foto: Kelly Müller/Divulgação NDEla saiu de Kiev com a filha Mikaela, de um mês, o marido Fábio Wilke, além de outras famílias, rumo à fronteira. Embarcaram na terça-feira, dia 1, às 9 horas, e chegaram à Polônia às 8 horas desta quarta-feira, dia 2.
Trem lotado seguindo em direção à Polônia. Só no último trem, foram cerca de 15 horas de viagem. – Foto: Kelly Müller/Divulgação NDO trem bem lotado, muita gente, contou Kelly, mas aliviada ao mesmo tempo por ter saído da zona de conflito. “Foram quase 24 horas em meio a correrias.”
SeguirKelly, que morou no Planalto Norte catarinense, disse que uma verdadeira rede de amigos e parentes de Canoinhas se formou para ajudá-los. Família Cubas, família Nagano, @Amigoemkyiv, @karynacubasconsultoria, todos se mobilizaram de algum jeito, entraram em contato com moradores da Polônia para que pudessem receber a família de Kelly.
“Przemysław Wojciechowski esperou 15 horas por nós. Nos procurou em todos os trens, nos trouxe até Cracóvia (cidade no sul da Polônia) com seu carro e nos instalou em um hotel”, contou Kelly, que fez questão também de dizer que outras pessoas na Polônia a ajudaram assim como outras famílias que chegavam na fronteira.
“Pessoas maravilhosas e acolhedoras”, destacou.
O próximo passo, agora, é voltar ao Brasil. Ainda não há data, mas a expectativa é grande.
Kelly no trem. – Foto: Kelly Müller/Divulgação NDBarriga de aluguel
A jornalista Kelly Müller, que já trabalhou em um jornal de Joinville e agora é técnica do judiciário e mora em Guaratuba, no Paraná, contou para o Portal ND+ a jornada até a chegada da filha Mikaela.
Após sofrer um aborto bem no início e perder dois filhos, Kelly e o marido Fábio decidiram pesquisar clínicas de barriga de aluguel. O casal descobriu que na Ucrânia o procedimento era legalizado. Em abril do ano passado, viajaram ao País para coleta de material.
Naquele momento (abril do a no passado), já havia muita tensão em Kiev, lembra a jornalista, que acompanhava tudo pelo noticiário.
“Antes da guerra, foi o momento de maior tensão no País desde 2014. Havia tropas na fronteira.”
Naquele momento, entretanto, o presidente russo Vladimir Putin recuou e ninguém acreditava que o cenário atual pudesse virar realidade.
“Achamos que, depois do recuo, não iria mais acontecer nada, que jamais iria acontecer algo dessa proporção. Eu observava que os ucranianos e eles tinham o mesmo pensamento. Estavam tranquilos. Mas, infelizmente, houve a invasão”, lamenta.
Durante a invasão, o casal que tinha viajado a Kiev para acompanhar o nascimento da filha Mikaela, teve de se esconder, junto com outras famílias, no subsolo de um prédio. Foram dias de tensão e agonia até conseguir um trem com destino a Polônia.