Os motoristas que estavam contando com reduções nos preços da gasolina em Florianópolis, depois do desconto da Petrobras na venda do litro para os postos, podem ter decepções na hora de abastecer.
O Sindópolis (Sindicato de Comércio Varejista de Combustíveis Minerais de Florianópolis) argumenta que nem todos os postos terão condições de baixar os preços, e rebate a notificação que recebeu do Procon da Capital: “não é função deles”.
Procon notificou Sindópolis por não perceber redução no preso da gasolina em Florianópolis – Foto: Freepick/NDNesta quinta-feira (16), o Procon de Florianópolis notificou o Sindicato por conta da falta de repasse da redução de R$ 0,07 no preço da gasolina pelos comerciantes da Capital.
SeguirSegundo a verificação do órgão, a grande maioria dos postos não ajustou os preços da venda da gasolina. Na notificação, é solicitado que o Sindópolis oriente os associados para aplicarem a redução.
O vice-presidente do Sindicato, Joel Fernandes, critica a medida. “Entendemos que não é função do Procon ‘canetar’ se o produto tem que subir ou descer. É verificar quando tem preço abusivo”, argumenta.
Ele complementa informando que já está marcada uma reunião com o órgão para a próxima segunda-feira (20). “Para deixar claro que essa função não é dele. Porque toda vez que o preço [da venda do litro pela Petrobrás] sobe, o Procon não notifica para aumentar nos postos”, diz.
Postos de SC “se esforçam” para ter a gasolina mais barata do Brasil, diz vice-presidente do Sindópolis
Joel Fernandes salienta que para manter o menor preço médio da gasolina em todo o país, os postos fazem esforços próprios, e nem sempre vão poder bancar mais reduções.
“Mesmo assim, nós orientamos que aqueles que tiverem condição, baixem. Mas não são todos que conseguem. Exemplo de um posto ali na Mauro Ramos, é o menor preço de Santa Catarina, como vai baixar? Só porque o Procon mandou?”, questiona.
“Se é o menor do Brasil, alguém deixa de ganhar alguma coisa. Nós não subimos o valor em várias momentos em que o preço subiu. Entendemos que trabalhamos em um mercado de livre concorrência, e o preço não é tabelado ou definido por ninguém. Percebemos que esse tipo de ação do Procon é para fazer média na mídia”, conclui Joel Fernandes.
O que diz o Procon de Florianópolis
O órgão informou que, a partir da próxima semana, irá retomar as fiscalizações nos postos de Florianópolis.
“O Procon recebeu como justificativa que os estabelecimentos ainda não reduziram o valor com o desconto porque haviam comprado gasolina antes do desconto ser aplicado pela Petrobrás. Então, na próxima semana vai iniciar uma ação de fiscalização para conferir se os postos irão começar a aplicar o desconto após as próximas compras do fornecedor”.
Quanto ao argumento de que “não seria função” do Procon a redução ou não dos preços, o órgão também emitiu uma resposta:
“O Procon informa que o aumento de lucro injustificado também categoriza um aumento abusivo, assim como seria o aumento do valor, pois o desconto praticado pelo fornecedor não chega até o consumidor final, e o estabelecimento age em benefício próprio, sem apresentar justificativa para o aumento abusivo nos lucros”.