Um grupo de indígenas do Toldo Chimbangue bloqueia um trecho da rodovia SC-484, que liga o município de Paial a SC-283, em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina. A manifestação iniciou às 9h desta terça-feira (30) e deve se estender até às 12h. O objetivo é chamar atenção para a votação do PL 490 do marco temporal. Algumas filas se formaram nas rodovias.
A manifestação iniciou na manhã desta terça-feira (30) e busca chamar atenção sobre a votação do marco temporal. – Foto: Cacique Antônio/Reprodução/NDO presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP/AL), anunciou que a análise do marco temporal deve ocorrer nesta terça. As manifestações são realizadas em rodovias de todo o país.
O Cacique Antônio, do Toldo Chimbangue, informou que a movimentação visa demonstrar a insatisfação com a mudança. “Somos contra a aprovação do marco temporal, é inconstitucional. Eles querem acabar conosco, acabar com a história do Brasil”, comentou.
SeguirOutro ponto de bloqueio é na rodovia SC-155, em Abelardo Luz. A PMRv (Polícia Militar Rodoviária) está no local e conversa com as lideranças indígenas “a fim de garantir o direito da manifestação como também o direito de ir e vir de todos”.
No trecho, a rodovia ficará fechada por cerca de 30 min e liberada por cerca de 15 min. Sem mais alterações no local, cerca de 150 pessoas estão envolvidas na manifestação.
Um dos bloqueios é em Abelardo Luz. – Foto: PMRv/Reprodução/NDIndígenas bloqueiam rodovias no norte do RS
O bloqueio se estende no Noroeste do Rio Grande do Sul, na ERS-480 entre os municípios de São Valentim e Erval Grande. Se formaram filas no local, mas gradualmente os organizadores da manifestação liberam alguns veículos.
Fila na ERS-480 entre os municípios de São Valentim e Erval Grande. – Foto: Internet/Reprodução/NDO que é o marco temporal?
O marco temporal defende a alteração na política de demarcação de terras indígenas no Brasil. Essa tese defende que os povos indígenas só possuem direito de reivindicar um território caso eles já o ocupassem em 5 de outubro de 1988, dia em que a Constituição Federal foi promulgada.
Em tramitação na Câmara desde 2007, o texto voltou para a pauta após aprovação do requerimento de urgência, por 324 votos favoráveis e 131 contrários, na semana passada. A matéria retira a demarcação de terras de povos originários da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) e devolve a atribuição ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.
“O marco temporal é inconstitucional, e ignora o caráter originário do direito dos povos indígenas às suas terras de ocupação tradicional. Se for aprovado, na prática, irá impedir as demarcações de TI e legitimar as violências do passado contra os povos indígenas”, afirmou a Comissão Guarani Yvyrupa, através das redes sociais.
O marco temporal defende a alteração na política de demarcação de terras indígenas no Brasil. – Foto: Cacique Antônio/Reprodução/ND