Tradicionalmente, algumas profissões são dominadas por homens, mas em Criciúma, no Sul catarinense, duas irmãs têm quebrado esse paradigma ao comandar uma oficina de chapeação e pintura na cidade.
Há cinco anos, elas largaram seus empregos e assumiram o negócio, que estava parado, por conta de uma separação, e com diversos carros à espera de reparos.
Juliana Frasson, por exemplo, deixou a carreira de 20 anos no administrativo de uma rede de mercados, e Jucilane, o setor da moda, onde atuava como modelista e estilista há 12 anos.
Seguir“Antes trabalhava no salto alto, na maquiagem, na camisete que não podia ter uma sujeirinha ou amassadinho, de repente, eu me deparei com sapatão, pó, lixa. Então, é um mundo totalmente diferente”, conta Juliana.
Juntas, as duas colocaram a casa em ordem. Hoje, sozinhas, fazem reparos em dezenas de carros todos os meses. “A gente conquistou muitos clientes no prazo de entrega. ‘Vocês vão me entregar o carro quando’, perguntavam. A gente respondia: quinta-feira. Quinta-feira estava entregue”, comenta.
“Os nossos clientes são quase 100% por indicação. Vêm e fazem serviço com a gente, gostam e vão repassando um para outro. E o mais engraçado é que os mais machistas são os que mais indicam”, diz Jucilane.
No dia a dia, a empresária conta que é comum aparecem homens na oficina questionando o trabalho delas. “Eles perguntam onde está o responsável. Eu falo somos nós. A gente não pode fazer o 100%. A gente tem que fazer o 150% pelo fato de ser mulher. Eles procuram com a lanterna para ver se acham algum defeito”, revela Jucilane.
Apesar dos desafios, as sócias contam com uma cartela extensa de clientes e realizam desde pequenos reparos, lixamento de massa, prime, isolamento até pinturas.
Hoje, o único serviço que elas necessitam contratar um profissional são as batidas maiores. Mas quem dúvida que daqui a pouco elas aprendam isso também.
Com a pintura já foi assim. “Eu sempre fiz pequenas pinturas, mas sempre com insegurança por ser um mercado masculino. Duas semanas perdi o medo e me identifiquei”, contou Jucilane, que é responsavel por essa etapa do trabalho.