Jovem trans relata transfobia ao buscar atendimento em hospital de Itajaí

Natalye Furtado procurou atendimento no sábado (15) e relata ter sido tratada no masculino, mesmo com os documentos já retificados

Redação ND Itajaí

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A jovem Natalye Furtado denunciou ter sofrido transfobia por funcionários do Hospital e Maternidade Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí, quando procurou atendimento no sábado (15). Mesmo já tendo os documentos retificados com o nome social e gênero feminino na certidão de nascimento, foi tratada no masculino.

Jovens trans denuncia transfobia no Hospital Marieta, em Itajaí – Foto: Natalye Furtado/Reprodução/Internet/NDJovens trans denuncia transfobia no Hospital Marieta, em Itajaí – Foto: Natalye Furtado/Reprodução/Internet/ND

Natalye contou que começou a passar mal pro volta do meio-dia e procurou a emergência do hospital. Ao chegar à recepção e entregar o documento (já retificado), a funcionária teria questionado qual nome ela preferia, Natalye ou o nome anterior.

Quando a pulseira de identificação da paciente foi impressa, a jovem notou que o sexo estava indicado como masculino. Ela voltou à recepção e pediu uma alteração. A funcionária, no entanto, afirmou que o sexo indicado na pulseira deve ser o mesmo que o do documento. O RG entregue, no entanto, não indica nem feminino, nem masculino. A certidão de nascimento de Natalye também já é retificada e consta feminino no sexo.

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Só com uma foto da certidão de nascimento, Natalye conseguiu uma nova pulseira, indicando o gênero correto que ela se identifica. Ela ainda destaca que, em todo momento, foi tratada no masculino pelas funcionárias.

Ela esperou cerca de três horas pelo atendimento. Ao falar com a médica, ela conta que foi tratada bem, sempre no feminino. A profissional receitou um remédio intramuscular para a jovem, que foi direcionada para tomar a medicação.

Neste momento, Natalye voltou a passar por situações mais constrangedoras. A profissional responsável por aplicar a medicação teria questionado: “você é menino ou menina?”. “Vai mudar algo na medicação?”, Naty questionou. Revoltada, a jovem saiu do local sem nem ao menos tomar a medicação.

O que diz o hospital

Em uma nota divulgada pela assessoria do Hospital Marieta Konder Bornhausen, o hospital afirmou que a lei prevê que pessoas trans sejam tratadas no gênero e nome preferido.

“A Lei determina que a pessoa trans deve ser tratada de acordo com o gênero com o qual se identifica. O Hospital Marieta orienta a equipe a tratar a todos com respeito e sem discriminação, por isso, lamenta o ocorrido e irá reforçar o treinamento para que esse tipo de situação não volte a ocorrer.”

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