A pergunta da semana para muitos em Joinville foi: como assim, o Lar Abdon Batista vai fechar? Em algumas horas, muitos passaram então a ir atrás dessa informação que passou a circular entre corredores, já que nesta quinta (4) uma casa lar foi fechada e pelo menos dez funcionários do local demitidos.
Entre atendimento, órgãos responsáveis pelo bem estar de crianças e adolescentes menores de 18 anos, a Secretaria de Assistência Social de Joinville é a responsável pela gestão dos convênios com o Lar e outras instituições, sendo quatro no total de abrigos.
Desde o Estatuto da Criança e Adolescente, o ECA, o serviço não é mais o chamado orfanato, mas sim um acolhimento que deve ser temporário, podendo variar de dois, três meses até dois anos em casos mais graves ou excepcionais.
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Lar Abdon Batista virou alvo de debate nesta semana em Joinville.- Foto: Divulgação/SCA secretária Fabiana Cardozo garantiu em entrevista que não se trata de um fechamento do espaço, mas sim de adequação de vagas. Ou seja, 10 estariam ‘sobrando’ segundo ele e para otimizar recursos públicos foram fechadas. Hoje em Joinville são 87 vagas ocupadas entre abrigos e famílias acolhedoras.
Aliás a meta é ampliar o programa famílias acolhedoras na cidade. Em Santa Catarina, a média é superior à média nacional. Existem no estado atualmente cerca de 1mil300 crianças em situação de acolhimento, mas apenas 20% em famílias acolhedoras. Joinville possui 19 e recentemente anunciou que pretende chegar a 90 nos próximos anos, audacioso, bem acima do estado. Para isso, um amplo trabalho de informação e formação a interessados está sendo feito.
No Lar Abdon Batista que existe há 111 anos em Joinville, o que se fala por parte da direção é que está se cumprindo a legislação e agora por conta desse fechamento de vagas as demissões foram inevitáveis. Mesmo assim, Anna Paulo Kegel explicou que a instituição sempre trabalhou dentro das normas e legislação vigentes.
Mais importante é ter o olhar nesse momento para as maiores vítimas de uma situação tão delicada quando envolve menores de idade. Do acolhimento ao retorno a família reestruturada ou a adoção. Manter com a família ampliada (avó, tia, por exemplo) também faz parte hoje da atuar. Mas o tema é amplo, delicado porque envolve a distância de crianças das famílias, ou dependendo dos casos não seria melho? A verdade é que cada caso é único, não dá para generalizar são pequenas vidas envolvidas. Mas nos últimos anos a sociedade viu nestes locais de abrigos uma forma de ajudar.
O alerta despertou autoridades de todas as esferas que estão indo atrás para saber o que na verdade aconteceu. Desde o ‘boom’, deputados, senadores começaram a entrar em contato com direção do Lar. Na câmara de vereadores, a próxima segunda-feira (8) será de debate sobre o assunto a partir das 13h30 com convidados ligados à área e a comunidade em geral.
Além do fechamento do local, outras fontes também disseram que o espaço seria ampliado para um Centro de Educação Infantil. Situação desmentida pela assessoria da prefeitura de Joinville, que deixou claro: nunca foi dito isso por qualquer autoridade.
A verdade é que o Lar Abdon Batista é uma instituição tradicional de Joinville, querida por muitos e por isso os olhares se voltaram. A própria presidente da Associação Empresarial de Joinville, Maria Regional de Loyola Rodrigues Alves, faz parte da direção do conselho há anos, entre outros nomes importantes da cidade que fazem ou fizeram parte.
É acompanhar.