Lugar de mulher negra é onde ela quiser!

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Amanda Santos Florianópolis

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Hoje vamos começar a coluna com alguns números:

  • 54% das mulheres negras não exercem trabalho remunerado
  • 39% dizem estar procurando emprego

O índice chocante faz parte da pesquisa “Potências (in)visíveis: a realidade da mulher negra no mercado de trabalho”, realizada em 2020.

Este foi um dos maiores levantamentos já realizados no Brasil sobre inclusão racial e de gênero no mundo corporativo. Vale destacar que a pesquisa foi feita no início da pandemia da Covid-19, momento de crises econômica e social mais aprofundadas.

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Pintora catarinense Valda Costa, chamada de Portinari de Santa Catarina em sua época – Foto: Arquivo PessoalPintora catarinense Valda Costa, chamada de Portinari de Santa Catarina em sua época – Foto: Arquivo Pessoal

Outro dado aponta que 72% das mulheres negras não foram lideradas por outras mulheres negras nos últimos cinco anos de trabalho, contra 28% que foram. De todas as entrevistadas, nenhuma é CEO e apenas 2% são diretoras no trabalho atual.

Mais uma curiosidade: mulheres negras foram encontradas apenas como 3% em cargos de gerentes, 3% de supervisoras ou coordenadoras, 3% de sócias ou proprietárias, 8% de analistas, 18% com cargos administrativo ou operacional, 23% de assistente ou auxiliar e 5% de estagiárias e trainees.

A importância do protagonismo

É por isso que eu adoro quando descubro protagonismos negros femininos em administrações que geralmente são ocupadas por homens. Antonieta de Barros deu esse start sendo referência como a primeira jornalista, parlamentar e educadora de referência, inspirando as pessoas até hoje. Mas depois de Antonieta não houve nenhuma outra mulher negra deputada aqui em Santa Catarina.

Uda Gonzaga foi tema do desfile da Copa Lord em 2014 – Foto: Arquivo pessoal/Reprodução/NDUda Gonzaga foi tema do desfile da Copa Lord em 2014 – Foto: Arquivo pessoal/Reprodução/ND

Agora em março, Edna Maria dos Anjos e Juçara Romão foram eleitas presidente e vice da Escola de Samba de Florianópolis Dascuia. Outro cargo que geralmente é ocupado por homens. Edna é educadora e Juçara militar. Antes delas apenas a professora Uda Gonzaga tinha exercido esta função, como presidente da escola Copa Lord, cerca de 40 anos atrás.

Ao trazer o nome destas mulheres, destaco o objetivo do artigo de hoje: mostrar como podemos estar onde quisermos!

Somos muitas

Então vamos a mais referências: Solange Adão é artista plástica, educadora e coordenadora de um espaço cultural que também nos reverencia, a Feira Afro. Fica no Centro da Capital e havia “adormecido”, mas voltará com força total nos próximos dias.

O Papai Noel negro faz parte da obra de Solange Adão – Foto: Divulgação/NDO Papai Noel negro faz parte da obra de Solange Adão – Foto: Divulgação/ND

Valda Costa pintou quadros como ninguém na década de 1970, época em que era difícil encontrar uma mulher negra nessa profissão. Ela tinha sensibilidade única para revelar um olhar próprio sobre o cotidiano de Florianópolis na época.

Obra da pintora catarinense Valda Costa – Foto: Reprodução / Obra de Valda CostaObra da pintora catarinense Valda Costa – Foto: Reprodução / Obra de Valda Costa

Apresentadoras negras aqui no Estado também são raridade. Cá estou eu para mostrar que existe, ainda que em poucos espaços.

Também já temos referências em profissões como dentistas, motoristas, médicas.. É um presente ver tantas mulheres empoderadas provarem por A+B que não há diferenças onde há vontade. Não há limitadores onde há coragem.

E voltando à pesquisa lá de cima… Em minha busca para este conteúdo percebi que o estudo “Potências (in)visíveis” demonstrou que existem três perfis profissionais que podem movimentar a presença e potencialidades das mulheres negras dentro das empresas: o incentivador, o catalisador e o transformador.

Ou seja, temos espaço para exercer todos os cargos, e isso não são ou que estou dizendo: são fatos. Vamos em frente!