Manezinha criada por casal chileno quer encontrar mãe biológica em Florianópolis

Entregue para adoção recém-nascida, há 44 anos, Fernanda Martin ficou até os quatro anos no Brasil, depois foi morar no Chile. Agora ela quer conhecer as próprias raízes

Nícolas Horácio Florianópolis

Receba as principais notícias no WhatsApp

Fernanda Martin sabe muito sobre sua vida, mas não tem uma informação básica. Afinal, quem é sua mãe biológica? Arquiteta, a manezinha de 44 anos criada por um casal chileno decidiu ir atrás das origens, inspirada em uma série de TV em que um dos personagens é adotado e faz exatamente isso.

Fernanda Martin curtindo a praia, ainda em Florianópolis – Foto: Divulgação/NDFernanda Martin curtindo a praia, ainda em Florianópolis – Foto: Divulgação/ND

A busca de Fernanda está apenas começando. Ela tem a ajuda de uma advogada, que está contatando os hospitais da região atrás dos registros de nascimentos do dia em que veio ao mundo – 30 de outubro de 1977.

Fernanda não sabe as circunstâncias da adoção, pois o procedimento foi extrajudicial. Também não sabe se nasceu na Maternidade Carmela Dutra, ou no Doutor Carlos Corrêa, onde todo manezinho nascia antes dos anos 2000.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

Dos pais chilenos, Iván e Claudia, nenhuma reclamação. Ela recebeu educação, carinho e o suporte para crescer com dignidade, estudar e formar a própria família. Fernanda é mãe de Florencia Helena Catarina, 23 anos.

Fernanda Martin após a entrevista aos repórteres do Grupo ND – Foto: Leo Munhoz/NDFernanda Martin após a entrevista aos repórteres do Grupo ND – Foto: Leo Munhoz/ND

O nome é homenagem à Ilha de Santa Catarina. O objetivo, agora, não é mudar de endereço, pois é feliz no Chile. O que quer é conhecer as origens mesmo.

“Fiquei grávida com 20 anos, minha filha tem 23 e foi a primeira vez que eu achei que alguém tinha a fisionomia parecida com a minha. Meus pais chilenos são baixinhos e minha filha é mais parecida comigo”, disse Fernanda, que para baixinha não serve.

“Durante a pandemia, vi a série “This is Us”, uma história bem emocionante. Comecei a me dar conta de que tenho as mesmas perguntas e que a origem é importante. Eu mereço a oportunidade de perguntar”, afirma.

Ela morou até os quatro anos em Florianópolis, porque o pai trabalhava na Eletrosul à época. Antes de se mudar definitivamente para o Chile, ela guardou algumas recordações da Ilha.

“Lembro de muito sol, de comer milho com manteiga na praia, do vento. Em Santiago, onde moro, tem uma praia com dunas, árvores que são muito similares às daqui. Lembro de uma pessoa que trabalhava na casa do meu pai, a Gora”, conta.

Iniciando a saga para reencontrar a mãe, Fernanda ficou uma semana em Florianópolis e retornou na sexta-feira para o Chile. Embora não tenha pretensão de se mudar para o Brasil, ela pensa em alguma “desculpa” para voltar a Santa Catarina sempre que possível.

Aqui, pediu atualização na certidão de nascimento e na carteira de identidade. Também criou uma conta no Instagram (@mae_biologica_floripa) para obter informações da mãe. “Hoje, penso que sou brasileira. E sou manezinha. Gosto muito da cidade. Gente muito carinhosa. Vou sentir saudade daqui”, comenta.

Segundo Fernanda, sua família é pequena, pois é filha única e atua como professora de arquitetura em três universidades. Sobre a vida no Chile, cercada de amor e afeto, apenas uma ponderação.

“A única coisa que tenho saudade é que no Chile, comparado ao Brasil, somos menos do toque. Eu sou do toque, da pele”, diz, abrindo o sorriso.

Ela relata que recebeu todo o apoio dos pais chilenos. “Eles trataram de lembrar e repassar tudo que aconteceu há 44 anos. Meu pai buscou toda a documentação. Eles estão na expectativa de como foi a experiência aqui e estão me dando apoio. São pessoas maravilhosas”, afirma.

Um abraço e elucidar algumas questões são desejos de Fernanda caso reencontre a mãe – Foto: Divulgação/NDUm abraço e elucidar algumas questões são desejos de Fernanda caso reencontre a mãe – Foto: Divulgação/ND

Fernanda também esteve no Brasil em 1982, quando os pais vieram visitar amigos. Depois, em um passeio escolar e também em 1994, ano do tetracampeonato do Brasil na Copa do Mundo.

Ela se emociona quando imagina o encontro com a mãe biológica e o que pretende dizer, caso consiga encontrá-la.

“Gostaria de contar a ela que tenho uma vida maravilhosa. Agradecer por ter me dado a vida. Perguntar sobre a existência dos meus avós, como foi a experiência dela grávida e a razão para a adoção”, diz determinada a descobrir sua origem para encerrar este ciclo.

Tópicos relacionados