Há três décadas o Lar Recanto do Carinho conta com a dedicação de voluntárias em Florianópolis. A instituição nasceu para cuidar de crianças com HIV em uma época cercada de preconceito.
Instituição nasceu para cuidar de crianças com HIV em uma época cercada de preconceito – Foto: Divulgação/NDSegundo a fundadora e coordenadora do lar, Márcia Lange Rila, a instituição “começou com cinco crianças, que eram duas que estavam no hospital internadas, gêmeas que nasceram e moravam embaixo da ponte e uma outra menina bem debilitada. A gente abriu com essas cinco crianças em julho, em dezembro a gente já tinha 15 e a casa era muito pequena”.
Até a mudança da sede de Coqueiros para o bairro Agronômica foi um desafio. “Quando eles viram as máquinas, eles já sabiam pra que que era a casa. Aí, eles faziam barreira humana, faziam essas coisas. Mas era muita desinformação e não dá nem para a gente ir contra essas pessoas porque elas não tinham informação nenhuma”, contou Márcia.
Com os avanços no tratamento e acolhimento na rede pública de saúde, o foco da instituição passou a ser crianças, adolescentes e jovens de até 20 anos em situação de vulnerabilidade. Atualmente, 14 estão abrigados no lar.
Márcia Rila fundou o Lar Recanto do Carinho para atender crianças que nasceram com o HIV – Foto: Reprodução/NDTV RecordTVSó que a história da Márcia com o voluntariado, começou bem antes do lar existir. Foi no Gapa (Grupo de Apoio à Prevenção da Aids) que ela percebeu como promover a diferença na vida de alguém faz um bem danado.
Para Márcia, “eu achava que ‘coisa boa ajudar as pessoas, vou ajudar as pessoas a resolver os problemas delas’. Gente, eu resolvi todos os meus problemas, eu me ajudei, elas que me ajudaram. O que tu tá fazendo é pra ti. O outro recebe, mas o retorno maior é teu”.
No lar, 40% das despesas são pagas com recursos de um convênio com a prefeitura da Capital. O restante do dinheiro vem de doações e das vendas de um bazar. Mesmo com as dificuldades, Márcia se mantém firme na missão de ajudar o próximo.
“O lar, para mim, é uma extensão da minha casa. Sempre foi. Tanto é que já tá mais do que na hora de eu sair daqui, mas tá difícil. Eu acho que tem que ter sangue novo aqui, acho que meu tempo aqui já deu. É complicado porque faz parte da minha vida”, disse a coordenadora do lar.
Confira mais informações na reportagem do Balanço Geral Florianópolis.