Diante de uma prisão, um assassinato de uma professora municipal, e a identificação de uma mulher que foi morta e queimada, a discussão de violência contra às mulheres voltou à tona em Santa Catarina. Na próxima semana, o CRM (Conselho Regional de Medicina) e a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) se reúnem para discutir a temática e ampliar o combate à violência doméstica.
O encontro acontece na próxima quarta-feira (30) às 19h30. Intitulado “o Momento da Ética”, o evento virtual discute a atuação dos profissionais de saúde na identificação de casos de violência contra a mulher e no apoio às vítimas.
Médicos vão discutir sobre combate à violência doméstica – Foto: Unsplash/Divulgação/NDTransmitido pelo canal da entidade no YouTube, o debate terá a participação da advogada e presidente da Comissão de Direito da Vítima da OAB/SC, Giane Brusque Bello, e do corregedor do CRM-SC e representante catarinense no CFM (Conselho Federal de Medicina), Anastácio Kotzias Neto.
Seguir“O médico, em atendimentos de urgência ou no consultório, muitas vezes é quem tem o primeiro contato com a mulher vítima de violência e pode identificar que está diante de uma situação de violência doméstica”, diz Giane.
“A partir disso, ele pode dar orientações à paciente e fazer a obrigatória notificação do caso às autoridades”, completa. Segundo a advogada, todo apoio externo é importante para a mulher. “Na maioria das vezes, elas não reconhecem – ou não aceitam – que estão em uma relação abusiva. Isso faz com que demorem a sair do ciclo de violência. Quanto mais informações, consciência e apoio tiverem, mais cedo terão condições para a saída deste ciclo”, conta.
Dados do Observatório da Violência contra a Mulher, da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, mostram que somente este ano já foram registrados 45 feminicídios no Estado.
Entre janeiro e outubro também foram requeridas 19.022 medidas protetivas. Segundo o CRM, médicos e profissionais de saúde também podem assumir papel importante no apoio às mulheres que deixaram para trás o passado de violência.
Mulher morta e asfixiada pelo marido em Tijucas
Foi identificada a vítima de um feminicídio no município de Tijucas, na Grande Florianópolis, na tarde desta quarta-feira (23). Miriam Pessoa, de 33 anos, perdeu a vida após ser asfixiada e queimada pelo companheiro.
Miriam deixa um filho de 12 anos de idade. Ela era natural de Guarapuava, no Paraná. Em um perfil nas redes sociais, Miriam declarava ser operadora de pedágio.
O marido de Miriam confessou ter asfixiado e ateado fogo contra ela. No local do crime, policiais encontraram o cunhado da vítima. O homem ligou para o irmão, que confessou ter matado a mulher.
A Polícia Militar foi acionada por volta das 16h por uma amiga da vítima, que recebeu uma mensagem de pedido de socorro. Na casa, a polícia encontrou o irmão do suspeito e outro cunhado.
Os policiais sentiram um forte cheiro de queimado e viram fuligem pelo chão, porém não havia fumaça no local. No quarto, os agentes encontraram o corpo da vítima parcialmente carbonizado em cima da cama.
Enquanto os policiais finalizavam a ocorrência, o cunhado da vítima ligou para o irmão, marido da mulher, que confessou o crime. Ele contou que deu um golpe de “mata leão” na mulher, que ficou desacordada, e em seguida colocou fogo no colchão, fugindo em seguida.
Miriam Pessoa foi morta pelo marido em Tijucas – Foto: Reprodução/Internet/NDProfessora morta em Florianópolis
Alessandra Abdalla foi assassinada a tiros pelo ex-companheiro e cabo da PMSC (Polícia Militar de Santa Catarina), Orlando Seara da Conceição Junior, na porta da creche onde trabalhava, no bairro Tapera, nessa quinta-feira (24).
A professora já tinha registrado um boletim de ocorrência e tinha medida protetiva, deferida no início de novembro, contra o ex-companheiro, como informa a delegada Michele Alves Corrêa, diretora da Polícia Civil da Grande Florianópolis.
O autor do crime foi preso pela Polícia Militar na noite de quinta-feira (24), em São José.
Professora foi assassinada na manhã desta quinta-feira (24) – Foto: Arquivo Pessoal/Osvaldo Sagaz/NDTVHomem preso por descumprir medida protetiva
Um homem, de 23 anos, foi preso no centro de Florianópolis após agredir a companheira nesta quinta-feira (24). Por conta da violência, a GMF (Guarda Municipal de Florianópolis) foi acionada.
Ao chegar no local, a guarnição constatou que se tratava de um caso de violência doméstica. Segundo a GMF, a mulher teria sofrido agressões físicas. A vítima, inclusive, tinha uma medida protetiva contra o homem, que fugiu do local.
Após rondas pelas imediações a GMF localizou o homem e o conduziu até a Delegacia de Polícia, que foi preso em flagrante por violência doméstica e descumprimento de medida protetiva.