Uma alegria admirável e um jeito leve de levar a vida que contagia não apenas a família, mas também a todos que a conhecem. Essa é a essência de Mariana Ramos Dapper, de 12 anos, moradora de Chapecó, no Oeste de Santa Catarina. Ela nasceu sem braços e usa os pés para fazer todas as tarefas do dia a dia, inclusive a natação, esporte que pratica desde os quatro anos de idade.
Mariana Ramos Dapper, de 12 anos, nasceu sem braços – Foto: Nadia Michaltchuk/NDA filha de Raquel e Lucas Dapper nasceu prematura, com apenas 1,5 kg e 40 centímetros, além de agenesia de membros superiores. A deficiência física foi descoberta ainda durante a gestação e representou um desafio ao casal, que nunca havia vivido esta experiência antes.
“Queríamos há muito tempo ter um filho e não conseguíamos. Depois de muitos anos tentando, descobrimos que teríamos um bebê. Já nas primeiras semanas de gestação, o médico disse que a Mariana era diferente. Ela tinha uma má formação nos bracinhos. Com 32 semanas de gestação ela veio ao mundo e nos deu um susto por ser tão pequenininha e frágil”, conta o pai.
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Mariana é o orgulho dos pais, Lucas e Raquel Dapper — Foto: Nadia Michaltchuk/NDDepois de 30 dias de internação, Mariana recebeu alta e, em pouco tempo, mostrou ao mundo toda a sua capacidade. “No início não sabíamos nem se ela iria andar. Tudo era novo. Pensávamos que teríamos que adaptar toda a nossa casa, mas ela nos mostrou que não. Hoje vivemos uma vida normal. Embora ela às vezes demore um pouco mais, não há nada que a Mariana não consiga fazer”, relata a mãe.
Mariana Ramos Dapper utiliza os pés para escrever — Foto: Nadia Michaltchuk/NDExemplo de superação
A criança que muitos duvidaram que fosse capaz de andar, hoje pratica todas as suas atividades com os pés, como escrever, comer, brincar, ajudar nas tarefas domésticas e praticar seu esporte preferido: a natação. A natação surgiu na vida de Mariana quando ela tinha apenas quatro anos, com o intuito de fortalecer seu corpo e ajudar no tratamento de problemas pulmonares.
Apesar da resistência em praticar o esporte, aos poucos Mariana foi se apaixonando pela água. “No início foi muito difícil. Eu chorava bastante, tinha medo. Depois passei a amar. Hoje faço natação três vezes na semana. Fiz muitos amigos. Um deles não tem os braços também”, comenta Mariana.
Mariana é uma adolescente vaidosa e adora passar batom — Foto: Nadia Michaltchuk/NDMas quem pensa que Mariana deve se tornar uma atleta profissional está muito enganado. A adolescente que também já pensou cursar medicina veterinária, sonha em se tornar advogada no futuro. “Quero lutar pelos direitos das pessoas com deficiência”, afirma.
Para isso, a estudante do 7º ano da EEB (Escola Básica Municipal) Rui Barbosa se dedica bastante. Seu desempenho é exemplar e, desde que iniciou sua vida escolar, acompanha a turma com aptidão. “Minha matéria preferida é matemática”, revela a adolescente.
Às pessoas que duvidam se suas capacidades, Mariana deixa uma verdadeira lição de vida. “Eu nunca duvidei da minha capacidade. Sempre tive muito otimismo. Não dou bola para o que os outros pensam. Sei que consigo ir muito além. Tudo é possível, basta querer”, finaliza.
Um dos passatempos preferidos de Mariana é usar o celular — Foto: Nadia Michaltchuk/ND