A calçada repleta de móveis, destruídos pela água, dão a dimensão do estrago no apartamento em que a funcionária pública, Stella Bento, vivia há 13 anos. O imóvel alugado no andar térreo foi completamente destruído, no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre.
Calçada no bairro Cidade Baixa fica tomada por móveis deteriorados – Foto: Vivian LealA força da água derrubou o guarda-roupas, tirou a cama do lugar e bloqueou a porta, que precisou ser quebrada. “A proprietária aqui foi muito compreensiva, me deu um tempo pra eu arrumar, sem a cobrança do aluguel. Vou fazer a limpeza e deixar arrumado dentro do possível, depois eu vou ver o que fazer”, afirma.
Stella saiu de casa com os gatos e uma bolsa. Documentos, livros, fotos, pertences pessoais e lembranças, tudo foi levado pela água.
Stella mostra até que altura a água chegou dentro de sua casa – Foto: Vivian Leal“É muito triste, é deprimente. A gente vê coisas que a gente tinha carinho, apego, ter que se livrar delas dessa maneira porque não é uma escolha. Uma coisa é quando tu escolhe que tu vai passar coisas adiante. Agora, quando tu és obrigado a se livrar das coisas é ainda pior”, lamenta.
Em outras ruas, do mesmo bairro, o cenário é parecido. Marcas nas fachadas dos prédios do entorno mostram que a inundação chegou a 1,5 metros de altura. Caminhões e funcionários do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) auxiliam na limpeza das áreas mais atingidas.
Marca de água em um prédio ao lado, na Cidade Baixa – Foto: Vivian Leal“É uma grande força trabalhando nessa reconstrução da cidade. Nos bairros que ainda estão alagados, não estamos atuando por segurança dos colaboradores e também pela preservação do maquinário”, afirma o diretor-geral do departamento, Carlos Alberto Hundertmarker.
“O nosso principal objetivo agora é fazer toda a limpeza da cidade e trazer a dignidade de volta, deixar nossos passeios limpos. Estamos com bastante trabalho em diversos bairros da cidade”, completa.
A dois quilômetros dali, no bairro Menino Deus, o trabalho de limpeza nas ruas começou ainda na semana passada, mas ainda é possível encontrar diversos pontos em que lixos estão acumulados em frente às casas.
Luiz Carlos acompanha a limpeza da calçada, no bairro Menino Deus, em Porto Alegre – Foto: Vivian LealMorador da região há 53 anos, o aposentado Luiz Carlos da Silva ainda não conseguiu calcular os prejuízos causados pela enchente.
“Toda a parte de baixo, foi tudo, dois carros. Só um freezer que eu comprei deu R$ 4.200, nem é bom pensar. Além do descaso da prefeitura, acho que a situação foi excepcional”, considera.
Retirada de móveis do apartamento de Stella, na Cidade Baixa – Vídeo: Vivian Leal
Força-tarefa em Porto Alegre
A Secretaria de Serviços Urbanos de Porto Alegre (SMSUrb) está auxiliando na limpeza das ruas e elaborou um plano para agilizar o recolhimento dos detritos. Inicialmente, 20 equipes, com 25 operários, atuam para garantir o recolhimento e descarte correto dos montantes.
A prefeitura garantiu contratos emergenciais para contratação de carretas retroescavadeiras, pás carregadeiras, escavadeiras hidráulicas e outros maquinários, para dar conta da demanda do serviço.