Moradores de Florianópolis recorrem ao Ateliê Solidário para se agasalhar contra o frio

Campanha do Agasalho 2024 retomou o Ateliê Solidário, que fica localizado no Largo da Alfândega e funciona de segunda a sexta das 9h às 17h e sábado das 9h às 12h

Foto de Gabriela Ferrarez

Gabriela Ferrarez Florianópolis

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Fazia 14°C e chovia no momento em que as pessoas — que estavam na fila para pegar um agasalho — manobravam os guarda-chuvas no vento e tentavam se proteger da combinação congelante. Nesta terça-feira (9) a cada dez minutos um grupo de dez pessoas entrava e outro saía do Ateliê Solidário com uma sacola de agasalhos.

Aparecida da Silva Ribeiro, de 62 anos, passava pelo Centro de Florianópolis quando viu a tenda do Ateliê SolidárioAparecida da Silva Ribeiro, de 62 anos, passava pelo Centro de Florianópolis quando viu a tenda do Ateliê Solidário – Foto: Germano Rorato/ND

Aparecida da Silva Ribeiro, de 62 anos, passava pelo Centro de Florianópolis quando viu a tenda do Ateliê Solidário. Em seguida, ela avisou a filha e as duas moradoras do Ribeirão da Ilha vieram ao local procurar roupas para as crianças de 2, 5, 11 e 14 anos da família.

“As crianças estão crescendo rápido, precisam de roupa de frio. Eu nem sabia que tinha isso aqui [Ateliê Solidário] para agasalhar eles”, fala Aparecida enquanto olha roupas para os pequenos.

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Do outro lado da mesa, também olhando calças e casacos para as mais novas, a filha de Aparecida complementa. “Agora que esfriou mesmo, a gente puxa as coisas do armário e vê que encurtou as roupas. Mas a roupa que deixa de servir para o mais velho, vai para o mais novo, e assim vai”, diz Adriana.

A Campanha do Agasalho 2024 promovida pela NDTV retomou o Ateliê Solidário em parceria com a Quantum Engenharia. O espaço fica localizado no Largo da Alfândega e funciona todos os dias da semana, das 9h às 17h, exceto no sábado, quando funciona das 9h às 12h. No local são feitos consertos de roupas doadas pela campanha para que elas sejam doadas em perfeitas condições.

Nesta semana, quando as temperaturas na Capital de fato baixaram, os funcionários do local explicam que a fila pouco diminui ao longo do dia. De guarda-chuva, Rose Taiane esperava sua vez de entrar. Morando em Florianópolis há um mês com a namorada, Rose buscava casacos e agasalhos para as duas. Natural do Pará, ela conta que se acostumou com o frio catarinense quando morou em Joinville, no Norte de Santa Catarina, mas que voltou para seu Estado por um período e doou suas roupas de frio.

Anderson do Nascimento, de 33 anos, procurava por agasalhos para ele, seu pai de 62 anos e seu irmão, de 28. Os três chegaram de Fraiburgo, no Meio-Oeste, há uma semana, e desde então estão dormindo nas ruas de Florianópolis.

“Nós escondemos nossas coisas aqui pra cima, perto da igreja matriz. Fomos pegar um almoço e, quando voltamos, as nossas blusas e o cobertor que a gente tinha não estavam mais lá. Então eu peguei sapato, cobertor, uns pares de meias e duas blusas de lã para eles”, contou Anderson enquanto mostrava as peças dentro da sacola.

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    Anderson do Nascimento, de 33 anos, procurava por agasalhos para ele, seu pai de 62 anos e seu irmão, de 28 - Germano Rorato/ND
    Anderson do Nascimento, de 33 anos, procurava por agasalhos para ele, seu pai de 62 anos e seu irmão, de 28 - Germano Rorato/ND
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    Rose Taiane esperava na fila pela sua vez para buscar por agasalhos para ela e a namorada - Germano Rorato/ND
    Rose Taiane esperava na fila pela sua vez para buscar por agasalhos para ela e a namorada - Germano Rorato/ND
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    Entram no Ateliê grupos de dez pessoas a cada dez minutos - Germano Rorato/ND
    Entram no Ateliê grupos de dez pessoas a cada dez minutos - Germano Rorato/ND

Frio demora a dar trégua na Capital

A Epagri/Ciram prevê que Florianópolis enfrente dias chuvosos e de frio nesta semana. Nesta quarta-feira (10), os termômetros podem marcar entre 12ºC e 15ºC. No restante da semana, a mínima pode chegar a 10ºC e a máxima, 14ºC.

A causa, segundo a Defesa Civil, é uma combinação de uma intensa massa de ar frio e a disponibilidade de umidade que deve manter a mesma combinação — frio, chuva e vento — até, pelo menos, sábado (13).

Ateliê Solidário faz parte da Campanha do Agasalho 2024

Desde março, quando a campanha começou, já foram arrecadadas 600 mil peças de roupa. O objetivo é que mais de um milhão de peças possam ser doadas até agosto, quando a campanha termina. Informações sobre os pontos de coleta, o que doar e a quantia arrecadada estão no site campanhadoagasalhond.com.br.

Este ano, além de catarinenses necessitados, a campanha foca ainda em moradores do Rio Grande do Sul afetados pelas enchentes históricas que atingiram o Estado gaúcho.

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