Mulheres ainda enfrentam ‘teto de vidro’ que as impede de assumir posições de alta liderança

Pesquisa aponta que apenas 38% das mulheres são líderes com poder de decisão nas empresas brasileiras em 2022; representatividade também é pequena na política

Foto de Grazi Guimarães

Grazi Guimarães Itajaí

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Dados do Grant Thornton, sétima maior rede de empresas globais de auditoria, consultoria e tributo, apontam que mulheres ocupam 38% dos cargos de liderança do Brasil em 2022, número ligeiramente menor do que os 39% de 2021.

Mas por que elas ainda são minoria em posições de alta liderança nas empresas brasileiras? Estariam as mulheres mais voltadas às suas vidas afetivas e familiares e menos preocupadas com suas carreiras? Bom, para a ONU (Organização Nações Unidas) não é falta de foco ou dedicação feminina, mas sim, falta de espaço e de oportunidades nas corporações.

Mulheres ainda enfrentam “teto de vidro” que as impede de ocupar posições de alta liderança nas empresas – Foto: Alva Skog/UN Women/Reprodução InternetMulheres ainda enfrentam “teto de vidro” que as impede de ocupar posições de alta liderança nas empresas – Foto: Alva Skog/UN Women/Reprodução Internet

É como se um “teto de vidro”, quase invisível, impedisse as mulheres de chegarem aos cargos mais altos e decisivos dentro das empresas e, assim, alavancarem suas carreiras.

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O que antes era lido como machismo escancarado – aquele que impedia as mulheres de alcançarem autonomia sobre suas próprias vidas – hoje se mostra mais sutil e estrutural, uma vez que nunca se falou tanto em igualdade de gênero. E essa realidade pode ganhar contornos ainda mais espinhosos quando falamos das mulheres negras.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostra que mulheres recebem em média 20% menos que homens no Brasil. A desigualdade segue elevada inclusive entre profissionais com o mesmo nível de escolaridade e idade na mesma categoria e ocupação.

Machismo estrutural reflete a minoria de mulheres em cargos de alta liderança e desigualdade salarial – Foto: RF studio/Pexels/NDMachismo estrutural reflete a minoria de mulheres em cargos de alta liderança e desigualdade salarial – Foto: RF studio/Pexels/ND

Mesmo recebendo menos, as mulheres se preparam mais do que os homens, dados da pesquisa Estatística de Gênero do IBGE, mostrou que, no Brasil, o nível de escolaridade das mulheres é mais elevado que o dos homens: entre eles, 21,5% frequentaram o ensino superior enquanto que entre elas 29,75%, o que escancara ainda mais a desigualdade de gênero importa pelo machismo.

Elas Lideram 2030

Para chegar a uma equidade salarial e de oportunidade entre homens e mulheres é necessário um pacto entre as empresas, principalmente entre quem ocupa cargos de alta liderança e tem poder de decisão.

Para isso, a ONU Mulheres lançou o Movimento Elas Lideram 2030, que firma um compromisso com mais de 1,5 mil empresas que têm o objetivo de alçar mais de 11  mil mulheres a posições de alta liderança até 2030.

A ideia é que pelo menos 30% de mulheres ocupem cargos de alta liderança até 2025,e 50% até 2030 a nível mundial. O Movimento Elas Lideram 2030 é uma iniciativa da Rede Brasil do Pacto Global em parceria com a ONU Mulheres e outras instituições.

Desigualdade na política

Primeira congressista negra dos EUA, Shirley Chisholm defendeu a importância de haver mulheres em todas as esferas da sociedade, inclusive – e principalmente – na política.

“Se eles não lhe derem um assento à mesa, traga uma cadeira dobrável”- Shirley Chisholm

No Brasil, apesar de as mulheres serem maioria entre os eleitores, elas ainda têm menos representação política, segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Enquanto a base eleitoral formada por homens não passam de 69 milhões, elas correspondem a 78 milhões dos brasileiros, ou seja 52%, aptos a votar. Os números são de março de 2022.

> Mulheres são maioria entre eleitores no Brasil, mesmo com menor representação política; entenda

Já a representação política nos governos é bem menor no país, apenas 15%. Os dados foram citados pela presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB/SC (Ordem dos Advogados do Brasil Santa Catarina), Claudia Bressan.

“É uma disparidade muito grande, que atribuo a uma barreira estrutural e histórica que segregou a participação das mulheres na política como um todo”.

Somente em 2020 a cidade de Brusque, no Vale do Itajaí, elegeu a primeira vereadora negra do município: Marlina Oliveira (PT). Itajaí, no Litoral Norte do Estado, tem quatro mulheres na casa legisladora, número expressivo se comparado a outras cidades na região.

Anna Carolina vereadora em Itajaí pelo PSDB – Foto: Reprodução/InternetAnna Carolina vereadora em Itajaí pelo PSDB – Foto: Reprodução/Internet

“As mulheres eleitas que representam os itajaienses na Câmara mostraram que são capazes de falar com fundamento sobre assuntos que vão além das pautas femininas e com a sensibilidade necessária, que é peculiar às mulheres e tão importante para enriquecer os debates”, destaca Anna Carolina Cristofolini (PSDB).