Em um cenário ainda desigual no mercado de trabalho, com menos oportunidades de ascensão e salários mais baixos para as mulheres do que para os homens, empreender se torna uma alternativa para as mulheres conquistarem a independência financeira.
Entretanto, uma pesquisa feita pelo Sebrae Nacional sobre empreendedorismo feminino, demonstra que questões sociais e de gênero sofridas por elas, como os impactos em sua renda e a desigualdade racial, ainda são evidentes.
Apesar de possuírem maior escolaridade, mulheres empreendedoras têm renda familiar menor comparada aos homens. – Foto: Freepik/Reprodução/NDPerfil das empreendedoras catarinenses
Segundo o estudo levantado pelo Observatório de Negócios do Sebrae SC, em parceria com o Sebrae Delas Mulher de Negócios, a renda familiar mensal média das mulheres empreendedoras é 30% inferior a dos homens empreendedores.
SeguirApesar de terem escolaridade mais elevada — 67,8% possuem nível superior — enquanto apenas 48,8% dos empreendedores possuem este nível de ensino, a renda familiar mensal delas é de cerca de R$ 5,4 mil, enquanto a deles atinge os R$ 8 mil.
Já em relação à raça, 85% do empreendedorismo feminino catarinense está entre as mulheres brancas. Mulheres pardas representam 9,8% e negras 4,3%.
Em relação à gestão do negócio, a pesquisa mostra que elas são mais inovadoras, têm mais facilidade em gerenciar equipes, maior preocupação com a governança e com a sustentabilidade, além de dar ênfase aos valores e princípios do negócio.
Motivadas pela autorrealização, muitas apostam no empreendedorismo a partir daquilo que gostam de fazer.
É o caso de Amanda Magalhães, proprietária da marca Toré Chocolates, localizada em Florianópolis, empresa que para ela significou a superação da síndrome de burnout, os quais são sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de situações de trabalho desgastante.
“A Toré Chocolates nasceu de um sonho de infância, que era produzir o meu próprio chocolate. Desde pequena acompanhava a minha mãe na produção em nossa casa. Com 9 anos comecei a fazer alguns chocolates e vender no recreio da escola, logo surgiu a vontade de criar meu próprio chocolate. Fui crescendo e o sonho da menina empreendedora adormeceu. Porém, quando meu filho nasceu, muitas coisas adormecidas voltaram à tona”, afirma Amanda.
Além disso, antes de abrir o seu próprio negócio, Amanda estava passando por um processo de estresse e burnout em sua vida profissional. Foi então que em dezembro de 2018, decidiu pedir demissão.
“Tive coragem de me reconstruir a partir de uma nova área, que é o chocolate”, completa Amanda.
Segundo a coordenadora do Programa Sebrae Delas Mulher de Negócios, Marina Barbieri, o empreendedorismo é a oportunidade de superação de muitas mulheres.
“Elas têm o objetivo de realizar uma transformação na vida pessoal ou devido a uma necessidade de mudança de carreira, seja por burnout, desligamento, teto de vidro ou maternidade”, relata.
Mulheres em 2023
Na live em comemoração ao Dia Internacional da Mulher da Diversa+, no dia oito de março, cinco mulheres se reuniram para conversar sobre a sobrecarga como consequência de uma jornada invisível percorrida por mulheres, principalmente as mães.
“Apesar da gente reconhecer algo por lei, isso não efetiva a realidade — disse a especialista, que lembrou de comentários depreciativos, que afirmam por exemplo, que mulheres não querem trabalhar em serviços braçais. — Quando a gente fala de equidade, a gente quer ter o mesmo direito que os homens, mas quer ser respeitada na nossa individualidade. Além do trabalho, a gente carrega os filhos, a casa, a sobrecarga emocional”, disse a psicóloga Fernanda Quadros.